Wilson das Neves, Mestre Marçal e o Comendador

Paulinho Albuquerque adorava citar as famosas frases usadas por Mestre Marçal. Eram coisas do tipo: “Eu sou espada!”, “Tô morando em cima do sapato”, “Se a onça morrer, o mato é nosso” ou, a minha preferida, “Quem procura o que não perdeu, quando encontra não reconhece”. E aí, em 1996, quando Wilson das Neves lançou o CD “O Som Sagrado de Wilson das Neves” , pra nós foi um grande momento, porque nesse disco tem uma faixa maravilhosa, com o título  “Mestre Marçal”. Nesse samba, Wilson e seus parceiros Paulo César Pinheiro e Zé Trambique conseguem citar um monte daquelas frases imortalizadas pelo grande Marçal. E agora é uma boa hora pra ouvir mais uma vez esse samba, em homenagem a esses três caras que não estão mais aqui para dizer : “Eu nasci sem saber nada e vou morrer sem aprender tudo, e se a morte é um descanso, eu prefiro viver cansado.”… Olha o samba aí:

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Um toque de David Finck

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Paulinho Albuquerque teve a oportunidade de trabalhar com muitos músicos internacionais e com alguns deles se entendeu muito bem, por terem temperamento e gostos parecidos. Um desses caras é o grande David Finck, um dos mais importantes contrabaixistas de jazz estabelecidos atualmente em Nova York.

David Finck mandou agora para o blog  uma das lembranças que ele guarda do Comendador:

 

Nós estávamos gravando um disco do Ivan Lins, num pequeno estúdio, no Rio. Era o CD A Doce Presença. Isso foi por volta de 1995…Numa das faixas eu tinha que tocar o contrabaixo com arco mas, num certo ponto da música, estava sempre perdendo um detalhe. Depois da quarta tentativa eu parei e disse pro Paulinho: “Paulo, lamento muito. Não sei o que está acontecendo, eu não estou pegando bem isso.” A resposta dele: “Bicho, não se preocupe, temos o estúdio reservado por três dias! Se até lá você não pegar, eu peço pro Peranzzetta fazer outro arranjo!” … Ele era um grande cara. E tinha um maravilhoso senso de humor.

Por falar em senso de humor, David Finck acaba de lançar um novo álbum no qual ele, além de tocar, também canta uma composição sua, que dá título ao disco (Low Standards). A faixa  é uma espécie de auto-retrato muito divertido, falando da sua condição de baixista…Paulinho Albuquerque ia gostar de ouvir isso.

Para saber mais sobre David Finck, visite o site: http://www.davidfinck.net/

 

 

Todos gostam de Toots, inclusive o Comendador.

Toots_ brasil project 51+Gx-LuBrLToots Thielemans, que morreu em 22 de agosto, era um dos músicos favoritos do Paulinho Albuquerque e os dois se encontraram várias vezes, desde 1985 , quando o mestre da hamônica, da guitarra e do assobio veio se apresentar na primeira edição do Free Jazz Festival, onde o Comendador era um dos produtores e diretores…E aparentemente Toots também gostava muito do Paulinho, tanto que o nome dele aparece numa pequena lista de agradecimentos no encarte do CD The Brasil Project, lançado em 1992.

encarte do TootsVamos ouvir agora a última faixa desse CD,  a composição mais famosa do Toots : Bluesette, numa gravação especialíssima, onde aparecem , por ordem de entrada em cena , “apenas” os seguintes nomes: Ivan Lins, Djavan, Milton Nascimento e Dori Caymmi, Oscar Castro-Neves, Mark Isham, Gilberto Gil e Edu Lobo, Gilson Peranzzetta, João Bosco, Ricardo Silveira, Caetano Veloso, Brian Bromberg, Chico Buarque, Lee Ritenour, Dave Grusin e o mestre de cerimônias, Toots Thielemans, na guitarra e no assobio. A base é feita por Oscar Castro-Neves no violão, Brian Bromberg no contrabaixo e Paulinho da Costa na percussão. A letra em inglês é de Norman Gimbel (cantada por Chico Buarque)  e a versão em português é de Ivan Lins.

 

10 anos sem o Comendador

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O tempo passa…Nem parece que foi há 10 anos. Em 26 de junho de 2006, nove dias depois do Bussunda, Paulinho Albuquerque também deixou este planeta…E o grupo Casseta & Planeta, naqueles dias, foi vítima de uma catástrofe de proporções tsunâmicas. Mas ficaram as boas lembranças e, para ajudar a lembrar, temos este blog do Comendador, onde os amigos vão deixando suas palavras, imagens e sons…(É só ir clicando nas palavras-chave, aquelas palavrinhas vermelhas aí na coluna ao lado, e começar o passeio) . A trilha sonora deste post vai ser um samba de Cláudio Jorge e Wilson das Neves, faixa do  CD  Amigo de Fé, que Cláudio Jorge dedicou ao Comendador. Esse disco foi um dos últimos trabalhos do produtor Paulinho Albuquerque e o samba  Músico Profissional  é uma homenagem aos caras que adoravam conviver com o Paulinho nos shows, nas gravações e nas viagens pelo Brasil e pelo mundo…

Os músicos profissionais que participaram desta gravação são: Bororó / baixo acústico, Camilo Mariano / bateria, Ovídio Brito e Marcelinho Moreira / percussão, Altair Martins / flugelhorn, Ricardo Pontes / sax alto e flautas, José Carlos Bigorna / sax tenor, Johnson Barbosa / trombone, Cláudio Jorge / arranjo de base, voz e violões, Gilson Peranzzetta / arranjo de metais.

O festival está aí…e o Comendador também

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Sempre que acontece um Brasil Jazz Fest a turma do jazz se lembra de Paulinho Albuquerque. Ele, junto com as irmãs Gardenberg, Zé Nogueira e Zuza Homem de Mello,  ajudou a criar esse evento que já está aí há 31 anos (no começo se chamava Free Jazz Festival, depois teve outros nomes e patrocinadores…e hoje é a Rede que não deixa a peteca cair). Se você quiser saber mais sobre a história do festival, além de rever e re-ouvir momentos incríveis, é só procurar nessa coluna aí ao lado, com as palavrinhas vermelhas, e clicar nas palavras-chave: jazz, festival, Free Jazz, etc… Boa viagem!

Pacto sinistro

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Paulinho Albuquerque produziu vários discos e dirigiu vários shows da Fátima Guedes e, durante esse tempo todo, eles mantinham um pacto sinistro: cada vez que um fosse fazer uma viagem tinha que trazer um presente pro outro. Mas não podia ser qualquer presente. Tinha que ser uma coisa estranha, insólita, bizarra…escova sereia 2015-09-02 23.14.30

Muitos desses presentes se perderam na noite dos tempos mas a nossa reportagem conseguiu localizar algumas dessas peças. Estão aqui, por exemplo, alguns presentes que Paulinho ofereceu para Fátima: uma escultura de tartaruga com conchas do mar da Flórida, uma escova de cabelos em forma de sereia, uns brincos em forma de caralhinhos fluorescentes, que brilhavam no escuro, comprados numa sex-shop em Nova de paulinho para fátima_oOrleans…

E a Fátima ofertou para o Comendador, entre outras coisas esquisitas, uma estátua de sereia que é uma maravilha…Esse, aliás, foi o último presente da lista. Com essa sereia, Fátima Guedes venceu a disputa. Paulinho disse que depois dessa ele não conseguiria revidar à altura e pediu arrego.

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Grandes nomes da MPB

A galera que vive no mundo da música, em shows, gravações e ensaios acaba desenvolvendo uma linguagem própria, um jargão, um jeito de falar. E uma das coisas mais engraçadas é essa mania de transformar os nomes dos músicos em apelidos trocadilhescos e absurdos. Paulinho Albuquerque era um que gostava dessa brincadeira…No Dia Internacional do Jazz nós publicamos aqui alguns dos grandes nomes do jazz. E agora vamos continuar nessa praia, lembrando  grandes nomes da MPB… grandes nomes _MPB_web