10 anos sem o Comendador

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O tempo passa…Nem parece que foi há 10 anos. Em 26 de junho de 2006, nove dias depois do Bussunda, Paulinho Albuquerque também deixou este planeta…E o grupo Casseta & Planeta, naqueles dias, foi vítima de uma catástrofe de proporções tsunâmicas. Mas ficaram as boas lembranças e, para ajudar a lembrar, temos este blog do Comendador, onde os amigos vão deixando suas palavras, imagens e sons…(É só ir clicando nas palavras-chave, aquelas palavrinhas vermelhas aí na coluna ao lado, e começar o passeio) . A trilha sonora deste post vai ser um samba de Cláudio Jorge e Wilson das Neves, faixa do  CD  Amigo de Fé, que Cláudio Jorge dedicou ao Comendador. Esse disco foi um dos últimos trabalhos do produtor Paulinho Albuquerque e o samba  Músico Profissional  é uma homenagem aos caras que adoravam conviver com o Paulinho nos shows, nas gravações e nas viagens pelo Brasil e pelo mundo…

Os músicos profissionais que participaram desta gravação são: Bororó / baixo acústico, Camilo Mariano / bateria, Ovídio Brito e Marcelinho Moreira / percussão, Altair Martins / flugelhorn, Ricardo Pontes / sax alto e flautas, José Carlos Bigorna / sax tenor, Johnson Barbosa / trombone, Cláudio Jorge / arranjo de base, voz e violões, Gilson Peranzzetta / arranjo de metais.

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Com vocês, Bagulhobom…

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Meus amigos, vocês vão ver e ouvir agora uma produção que o Paulinho Albuquerque não fez mas adoraria ter feito: uma faixa do Bagulhobom, um novo quarteto que está aí na área. O papo é sério e o bagulho é ótimo. É música instrumental brasileira da boa… Cláudio Jorge, Ivan Machado, Leonardo Amuedo e Marcelinho Moreira trabalharam com Paulinho Albuquerque e conheceram bem a figura. Olha aí o que eles têm a dizer:

O Bagulhobom é filho do Paulinho e da Vivi. Nasceu algum tempo depois que ele foi embora mas nós sabemos que ele tá nessa também. A Vivi criou e agitou toda a parada. Ela conhece bem agora os caminhos a seguir. Paulinho trabalhava sempre com muita paixão, seriedade, alegria e respeito pela música e pelos músicos. A Vivi tá seguindo com a mesma levada e ainda com um toque feminino que o Paulinho, claro, não tinha, rsrs… Viva o Paulinho e salve a Vivi.  (Ivan Machado)

Acho que o Paulinho ia falar pra mim assim:  “Você aprendeu a tocar samba assim no Uruguai? …Essa merda (o Uruguai, é claro) está pendurada no Brasil e nāo cai, porra!” Hahahahah…Isso para mim vindo dele era um elogio, é claro… (Leonardo Amuedo)

O Comendador Albuquerque já deve estar produzindo nosso primeiro disco lá de cima e desenhando a luz do show também. Acho que tudo que a gente for fazer vai ter uma forte inspiração nele. Agora, se ele estivesse por aqui iria estar pegando no pé de todo mundo, da Vivi aos técnicos de gravação. Uma coisa que ele provavelmente diria é que esse conjunto tem tudo pra nāo dar certo. Só tem botafoguense e um uruguaio representando o Loco Abreu. Bem do jeito que ele costumava sacanear o time do coração. (Cláudio Jorge)

É… Com certeza o Bagulho é coisa do Paulinho e se é dele, é bom!!! Paulinho sempre plantou coisa boa porque sempre prezou a música e o talento. O fato de sermos o “BAGULHOBOM” não quer necessariamente dizer que sejamos os mais musicais ou os mais talentosos mas certamente somos amigos colhidos dessa fértil plantação do Comendador e hoje estamos sendo regados por ele através da Vivi.

O Bagulho será distribuído para que seja experimentado por muitos pois o Paulinho não se limitava ao seu metro quadrado, ele sempre se expandia e se misturava pra mostrar que pra música não existem fronteiras.

Por outro lado, acho que seu alto grau de exigência, também o faria dizer que o nome até pode ser Bagulho mas que pra ser Bom teria que esperar um pouco…. Kkkkkkkkk. E esse tipo de coisa era ótima, pois mexia com nossos brios e funcionava como a “cenourinha” que nos fazia correr mais e mais em direção ao melhor.

Hoje estamos aqui, o Bagulho é nosso mas é pelo Paulinho. Afinal, é um lance de amizade, musicalidade e verdade. Cada um com a sua mas que no final se torna uma coisa só. Foi isso que vivemos em vida com o Paulinho Albuquerque e agora não pode ser diferente. (Marcelinho Moreira)

Emílio Santiago (1)

Cláudio Jorge
emilio santiago
Eu tive a oportunidade de presenciar dois encontros marcantes de Paulinho Albuquerque com Emílio Santiago, uma das maiores vozes da música brasileira.
Uma foi o convite que ele fez ao Emílio para participar do disco “De Letra & Música” do nosso amigo e parceiro Nei Lopes. É uma belíssima gravaçāo de ” Gotas de Veneno”, um dos sucessos da dupla Wilson Moreira e Nei Lopes. Nei deve ter coisas pra contar sobre este encontro.
Paulinho e Guilherme Reis, meus  sócios  na Carioca Discos, trabalhavam muito e, na mesma intensidade, faziam altas molecagens que divertiam todo mundo. Uma delas era quando o Paulinho imitava a voz do cantor e gravava a música com outra letra. Ele fez uma versāo para esta gravaçāo do Emílio com o Nei Lopes. Impublicável.
Outro encontro  foi o convite feito pelo Paulinho ao Emílio para interpretar uma das faixas do CD “Um Natal de Samba”, segundo volume, produzido pelo Paulinho Albuquerque para a gravadora Velas. Vários compositores fizeram canções com referência ao Natal especialmente para este disco. Uma delas é a minha música “Sapato na Janela”.
Me lembro que no dia em que o Emílio foi gravar a voz, num determinado momento chamei a atençāo dele  para um trecho da letra que nāo estava sendo cantado corretamente. O Emiílio rapidamente mandou essa: “Paulinho, esse negócio de trazer o autor da música na hora que o cantor está colocando voz nāo dá certo nāo, heim?”. Até o fim da gravaçāo o Emílio ficou me sacaneando com esse negócio e depois o Paulinho, também continuou me sacaneando, mas sempre imitando a voz do Emílio.
É… Sāo muitas as saudades do Paulinho, do Guilherme, do Ovídio e agora do Emílio Santiago.
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Ouçam agora: Gotas de Veneno…
Com Emílo Santiago, Nei Lopes e  Leandro Braga (piano e arranjo), Cláudio Jorge (violāo), Ivan Machado (baixo), Carlinhos 7 cordas, Jorge Gomes (bateria), Gordinho (surdo), Armando Marçal (caixa e tamborim), Marcelinho Moreira (tamborim e tantan), Ovídio Brito (pandeiro, tamborim e cuíca), Nelson Oliveira (trompete), David Ganc (sax tenor), Carlos Malta (sax soprano, sax alto), Roberto Marques (trombone).
…e Sapato na Janela.
Com Emílio Santiago e Cláudio Jorge (arranjo e violāo), Itamar Assierre (piano e teclados), Ivan Machado (baixo), Jorge Gomes (bateria), Marcelinho Moreira (tamborim), Ovídio Brito (cuíca).

Um hino pro Comendador

Cláudio Jorge
O Botafogo, independente da maré, como deve ser, está sempre tirando onda. Agora o Seedorf é nosso, e da mulher brasileira dele. Como costuma brincar o meu amigo Baiano, a torcida botafoguense é diferenciada, acostumada a torcer nos jogos lendo Shakespeare e ouvindo Debussy. Agora, traz um jogador afrodescendente holandês para brilhar no Engenhāo.
O Comendador Albuquerque era uma figuraça torcendo pelo Glorioso. Xingava todos os jogadores e o humor pessimista em relaçāo aos caminhos do time era de rolar de rir. Fico imaginando as piadas que ele faria com essa vinda do Seedorf estando o time do jeito que está. Louco Abreu subiu no telhado e por aí vai.
Gostaria que ele estivesse aqui neste momento do Rio de Janeiro, Patrimônio da Humanidade, com ele, nascido e criado na zona sul e tendo feito tanta coisa legal pela cultura da cidade. Mas essa versāo que fiz do hino do Botafogo para comemorar a chegada so Seedorf ele vai dar um jeito de ouvir…

Nesta foto colorida e alvinegra, da esquerda para a direita: Walter Alfaiate, Nilton Santos, Alfredinho Bip Bip, Paulinho Albuquerque, Paulo Aragāo, Célia Vaz e Paulinho da Aba. O fotógrafo é o Cláudio Jorge.

Ainda sobre o carnaval

Cláudio Jorge manda um samba…

“Sobre o carnaval de 2012. Sem comentários, apenas música. O que é carnaval, do imperiano Wilson das Neves e do vilaisabelense Cláudio Jorge. Faixa do CD Coisa de Chefe, produzido por Paulinho Albuquerque, lançado pela Carioca Discos em 2001 e indicado para o Grammy Latino de 2002 na categoria melhor disco de samba”.

E aproveitamos a oportunidade pra lembrar também outra faixa carnavalesca produzida pelo Paulinho Albuquerque…

Do repertório do Casseta & Planeta, o memorável samba enredo Apogeu e Glória do Rock’n Roll,  de Bussunda, Beto Silva, Claudio Manoel e Mu Chebabi.

Alô bateria…

Comendador Albuquerque no Carnaval

No flagrante, Paulinho Albuquerque entrando num bloco de personagens do Nássara, outra inesquecível figuraça da música e do humor...

Vocês vão ouvir agora, em primeiríssima mão, uma música que vai arrebentar neste carnaval. É isso mesmo que vocês estão pensando…O  título da marcha é  “Comendador Albuquerque no Carnaval” e ela acaba de ser gravada por um time da pesada, todos ilustres membros da AMAPALBUCA (Associação dos Amigos do Paulinho Albuqueruqe). Dá só uma olhada na ficha técnica:

Autor: Cláudio Jorge / Coro: Marcelinho Moreira, Ary Bispo, Gabriel Versiani e Cláudio Jorge / Contrabaixo: Ivan Machado / Teclado e arranjo de metais: Itamar Assiére / Violão e arranjo: Cláudio Jorge / Percussão: Marcelinho Moreira e André Siqueira / Efeitos vocais: Jovi Joviniano / Técnico de gravação, mixagem e empréstimo do estúdio: Mu Chebabi / Assistente de produção: Pedro Albuquerque / Produção: Cláudio Jorge.

E olha a letra aí…

O mordomo Antunes avisou: / “O Comendador não pode atender

Depois que ouvir aquele bip / Deixa o teu recado / Que ele liga pra você”…

Paulinho Albuquerque / Um produtor porreta / Andou do samba ao jazz

E com a turma da Casseta / Carica bem sacana / Um cara de moral

Que fica na memória / Pr’eu brincar meu carnaval.

Um Natal de Samba

Cláudio Jorge
Paulinho Albuquerque produziu para a Velas em 1999 o disco Um Natal de Samba. São sambas compostos por Wilson Moreira e Nei Lopes, Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro, Luisinho SP, Almir Gunieto, Zé Luiz, Dunga e Toninho Nascimento, Roque Ferreira, Barberinho, Marquinhos Diniz e Luiz Grande,  Arlindo Cruz e Sombrinha, Mauro Diniz, Cláudio Jorge, Luiz Carlos da Vila, Dona Ivone Lara e Décio Carvalho. Algumas faixas interpretadas pelos próprios autores, outras por Zeca Pagodinho, João Nogueira, Emílio Santiago e Toque de Prima.
É um disco maravilhoso e a minha dica é a faixa de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, É Natal. Obra prima, tanto o samba quanto o disco produzido pelo Paulinho.
Participam da gravação Carlinhos Sete Cordas, Dininho e Jorge Hélder (baixo), Wanderson Martins (arranjo e cavaquinho) Itamar Assiere (piano e teclados), Jorge Gomes (bateria) Ovídio Brito, Marcelinho Moreira e Gordinho (percussões), Cláudio Jorge (violão), Eduardo Neves (sopros) Ary Bispo, Eveline Hecker, Jurema de Candia e Toque de Prima (coro).