Ocês num entende de política não, né?

O título aí em cima era uma espécie de bordão que Paulinho Albuquerque usava em muitas situações. Era um bordão multiuso. Mas até hoje eu não sabia a origem dessa frase. E agora, finalmente o mistério foi esclarecido. O grande baixista Sizão Machado explicou para o blog do Comendador onde surgiu essa parada.

Tudo começou nos anos 80, numa turnê do Djavan por algumas cidades mineiras, com o grupo Sururu de Capote. Depois de um show em Varginha, Sizão Machado e Paulinho Albuquerque, que era o diretor do show, estavam atrás do palco, fumando. O show tinhacomendador-4-x_remix_política acontecido num ginásio, e algumas pessoas estavam circulando por ali. Sizão e Paulinho estavam se divertindo muito ouvindo o sotaque e as expressões idiomáticas tipicamente mineiras. Aí passou por eles um sujeito e o Sizão comentou com o Paulinho: “Gozado, esse cara parece muito o…”. O cara ouviu o comentário, se adiantou e esclareceu: “Dosti Ofmã! Todo mundo me acha parecido com o Dosti Ofmã!” Devido à semelhança física, eles entenderam que o cidadão era parecido com o Dustin Hoffman.

Eles ficaram um tempinho ali batendo papo com o sósia do astro de Hollywood e aí apareceu uma mulher muito bonita, chamando a atenção da galera. O Dustin Hoffman cutucou o Sizão e disse: “Se ocê quiser, posso acertar com ela, já!” O Sizão desconversou, disse para ele não se preocupar com isso. E foi aí que o mineiro falou a tal frase: “Ocês não entende de política não, né?…Essa aí já pegou aquele deputado (e disse o nome de um político que não será citado). Essa aí faz o serviço completo! Ela sapecou uma dentada no pau dele, e ele teve que ir pra Belzonte fazer um enxerto…”

Depois dessa aula, Paulinho Albuquerque e Sizão Machado passaram a entender tudo de política.

Sururu de Capote_Los Angeles _1982

Nesta foto de 1982, em Los Angeles, a equipe completa da Sururu de Capote: Café (percussão), Paulinho Albuquerque (direção e iluminação), Luiz Avellar (piano), Téo Lima (bateria), Marquinhos (sax tenor e flauta), Zé Nogueira (sax soprano), Moisés (trombone de pisto), Monique Gardenberg (produção), Sizão Machado (baixo) e Djavan (djavan).

O ronco e um diálogo albuquerqueano

Itamar Assiere

Itamar Assiere, pianista, arranjador e ouvinte privilegiado do ronco do Comendador.

As minhas histórias do Paulinho podem começar pelo ronco dele, que foi o mais alto que já ouvi na vida! Difícil achar outro igual!

Quando toquei no show do Casseta & Planeta  em Vitória, a produção me botou pra dividir o quarto com ele. Eu não me lembro de ter conseguido dormir. Mas lembro bem da minha tentativa desesperada de dormir: pra tentar competir com o ronco, eu liguei a televisão fora do ar no último volume, pra ver se o barulho dela se misturava com o ronco e aí eu abstraía. Claro que não deu certo… Isso se chama desespero!

Devo muito ao Paulinho, que foi de uma generosidade descomunal comigo. Eu conheci ele num show do Cláudio Nucci,  no Rio Jazz Club. Ele foi lá pra falar comigo sobre o grupo Batacotô. O Sizão Machado tinha acabado de me chamar e ele foi lá me ver tocar e marcar uma reunião pra conversar sobre a banda.

Em 93, ele me perguntou se eu fazia arranjo. Eu disse que sim, e ele me deu dois arranjos para a Fátima Guedes. Ele nem quis conferir se eu fazia arranjo direito, só acreditou na minha palavra e na sua intuição. E depois ainda me chamou pra gravar o CD da Rosa Passos!

Uma vez eu estava em Goiânia, com a Bibi Ferreira. Lembrei que  Bororó, o baixista, tinha se mudado pra lá, e liguei pro Paulinho pra pedir o telefone dele. E o papo foi assim:

– Oi, Paulinho, aqui é o Itamar.

– Fala! E aí?

– Seguinte: tô aqui em Goiânia e preciso…

– Ué! Foda-se!… “Ah… tô aqui em Goiânia”… Foda-se!

– Tá, tá legal, você tem razão… eu só queria o telefone do Bororó…

Mais tarde ele me ligou passando o telefone do Bororó, e ainda detonou o colega, que tinha deixado furo num show do Cláudio Jorge que ele estava dirigindo… Puro humor albuquerqueano!