A pior Copa de todos os tempos

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A pior Copa de todos os tempos foi aquela na Alemanha, em 2006. O Brasil perdeu a Copa, perdeu o Bussunda e perdeu o Paulinho Albuquerque. Hoje, dia 26 de junho, faz 8 anos que o Comendador Albuquerque não está mais aqui. Foi pensando no Paulinho que fiz esse programa para a Rádio Batuta, falando de jazz e humor, duas coisas que ele levava a sério…

http://radiobatuta.com.br/programa/jazz-humor-3/

 

 

 

 

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A primeira faixa do primeiro disco

Reinaldo

Um dia Paulinho Albuquerque teve a idéia de juntar a Casseta Popular e o Planeta Diário num show de humor ao vivo, no palco do Jazzmania. Na época, ele era responsável pela programação da – hoje extinta – casa de shows em Ipanema. E nós, do Planeta e da Casseta, só fazíamos o jornal, a revista e éramos roteiristas do TV Pirata. A idéia do show, a princípio, pareceu meio absurda e sem sentido, já que todo mundo no grupo era redator e não ator… Mas o Paulinho tinha faro, intuição e era um cara muito ligado em humor (ele tinha uma coleção enorme de videos,em VHS, do Monty Python e outros craques do humor internacional).

Naquele tempo ele não conhecia nenhum de nós pessoalmente, mas conhecia o irmão do Marcelo Madureira, o Manfredo, que trabalhava também com produção musical. O Paulinho pediu pro Manfredo marcar uma reunião com todo mundo e aí pintou a idéia do show de humor musical. O Claudio Manoel convocou Mu Chebabi para botar música nas letras, o Bussunda achou que seria uma boa imitar o Tim Maia, o Hubert inventou o Paulo Francis cantando Garota de Ipanema e a coisa foi começando a tomar forma.

Resumindo a história: o show, chamado “Eu Vou Tirar Você Deste Lugar” ficou em cartaz no Jazzmania, às segundas-feiras, de abril a junho de 1988. Todo mundo foi lá, tout Riô , como diriam os franceses. Até o Boni foi e, depois de ver o show, achou que os caras da Casseta e do Planeta podiam aparecer na frente das câmeras. Depois disso, vieram outros shows e três discos (um LP e dois CDs), tudo com a direção do Paulinho. Mas o que eu queria mostrar aqui é a primeira faixa do primeiro disco, o LP “Preto com um Buraco no Meio”. No início da faixa, ouçam o diálogo entre Paulinho Albuquerque e Bussunda.

A música é “Mãe é Mãe”, de Bussunda e Mu Chebabi. A bela canção, um funk no estilo Tim Maia, é o desabafo desesperado de um namorado infeliz, ferido no seu orgulho de macho, depois de levar um pé na bunda.

E olha só o time que o Paulinho convocou para esta faixa:  Leo Gandelman (sax barítono e arranjo), Bidinho (trompete), Zé Carlos Bigorna (sax alto), Serginho Trombone, William Magalhães (teclados), Torcuato Mariano (guitarra), Fernando Souza (baixo) , Claudio Infante (bateria) e Armando Marçal (percussão). No vocal, Claudio Manoel e Bussunda. Clica aí…

O Palbuca

Paulinho, Riachão, Claudio Jorge e Luiz Carlos da Villa

Paulinho e João Bosco

Cláudio Jorge

Foi tanta coisa que vivi com o Paulinho…Mas agora estou me lembrando do dia em que fomos juntos à Bahia para a apresentação do projeto “A Cor da Cultura”, do Canal Futura. Éramos um grupo grande de instrumentistas, cantores, técnicos, produtores e o Paulinho fazendo a direção do show.

Encontrar com Paulinho era garantia de boas risadas, por conta do seu bom humor e também pelo seu mau humor, que sempre era engraçado.

Ele tinha uma capacidade de abordar coisas sérias brincando que era muito interessante. Nosso amigo Marcelinho Moreira, por exemplo, grande instrumentista, preparava-se para lançar seu primeiro disco. Estava virando “canário”, como nós músicos costumamos brincar com os cantores de um modo geral.

O primeiro CD de Marcelinho Moreira, de 2006, quando o batuqueiro virou "canário".

A maneira que o Paulinho usava para ficar cutucando o Marcelinho sobre isso era muito boa. Toda vez que a gente pegava a van pra ir do hotel ao Teatro Castro Alves o Paulinho mandava: ” Que coisa incrível, né gente? O Marcelinho é uma pessoa tão legal, tão simples. Ele até viaja com a gente aqui na van numa boa…” Cada vez que ele falava isso era num tom diferente e a gente adorava, inclusive o Marcelinho. Paulinho foi a primeira pessoa a investir na carreira do Marcelinho e a amizade entre os dois tornava a pilha mais engraçada ainda.

Por ironia do destino, Marcelinho e eu estávamos juntos numa van indo de Lisboa para Coimbra, quando soubemos o que tinha acontecido aqui no Rio no dia 26 de junho de 2006.

Me lembro que pouco antes de irmos pra Bahia uma produtora do Futura me falou que não estava conseguindo se comunicar com o Paulinho. Ela digitava paubuca@… e não dava certo. Expliquei pra ela, com toda a delicadeza, que o pau do paubuca era  com “L”, de P. ALbuquerque. Ela teve uma crise de risos com a armadilha criada pelo Paulinho, principalmente porque tava achando muita cara de pau aquele endereço de e-mail. Até o final do trabalho toda vez que a Cláudia olhava pra ele ria  à toa.

Paulinho brincava com isso, brincava com tudo. Era uma alegria que vinha de longe e que nunca deixou de se manifestar, mesmo com os cabelos brancos tomando conta de sua cabeça. Uma cabeça muito boa, por sinal. 

Ainda sobre e-mail…

Paulinho me enviou este e-mail em 21 de junho de 2006, cinco dias antes de partir.  Nele dá pra sentir como ele sacaneava tudo e todos com seu maravilhoso humor.

“De:  palbuca@terra.com.br

Assunto: Re: todos                  

Data: 21 de junho de 2006 14h20min30s GMT-03:00

Para:  claudiojorge@terra.com.br

Claudio

O velório do Bussunda foi foda pra segurar. Fiquei me controlando mas assim que vi os outros todos juntos, passou o maior filme na minha cabeça, lembrando do nosso início de trabalho e pensando como era inimaginável ver algum dia aqueles gozadores todos chorando como crianças.  Claro que caí no maior choro também.  Pela primeira vez na minha vida, vi o Reinaldo completamente descontrolado.  Aqueles caras foram, durante muito tempo, a minha família, você sabe.  O Beto – eles não perdem a oportunidade de fazer piada mesmo numa situação dessas – que é tricolor doente, ao me abraçar, chorando muito, disse: “Ô Paulinho, só mesmo o Bussunda pra fazer a gente entrar nessa porra”.  Ele se referia ao club Flamengo, onde foi o velório.

Bem, vamos às mais amenas:  o Brasil deve voltar dentro de mais alguns dias, pois o Parreira (aargh !) não pode barrar o Ronaldo, o Adriano, o Cafu, etc., por causa dos contratos com a Nike, né ?

Enquanto isso, os craques Dodô, Reinaldo, Scheidt e outros ficam aqui no Brasil assistindo a essas merdas.  Que injustiça !

Encontraram o Martinho ?   O Marcelinho continua exigindo suite presidencial nos hotéis?  A FIFA está puta da vida porque alegam que haviam combinado com o Marcelinho que sua excursão européia fosse APÓS a Copa e não durante.

Estão com problemas de público por isso, pois a turnê do Marcelinho está empanando a repercussão que poderia ter a Copa do Mundo.  Eu, particularmente, acho que eles estão exagerando e vejo até algum resquício daquele velho racismo nazista nessa manifestação da FIFA pois o presidente, como você sabe, é o Joseph Blatter, um alemão e a Copa , afinal de contas, é lá naquele reduto nazista.

Abs

Paulo