Sem perder a piada

Vivi Fernandes de Lima

Bom contador de histórias, Paulo também era especialista em tiradas, na maioria das vezes improvisadas. Pra não perder a piada, ele não aliviava nem a própria mãe, Sara. Quando ela reclamava que ele estava sumido, ele respondia:

– Sabe o que é Sara? Mãe é bom, mas dura muito…

E a conversa dos dois acabava às gargalhadas.

A morte, aliás, volta e meia era tema de suas piadas. Assim ele mostrava preocupação com a idade avançada da mãe:

– Sara, por favor, vê se não morre em dia de jogo do Botafogo.

Quando a cantora Shirley Horn faleceu, em 2005, a triste notícia acabou inspirando outra piada. Enquanto caminhávamos para um dos palcos do Tim Festival, o amigo Zé Nogueira lembrou que nenhum artista havia homenageado a cantora, que havia morrido naquele ano. Paulo, que adorava a artista jazzista, não se apertou para dar rapidamente uma solução e ainda atingir a música eletrônica, que ele odiava:

– Ainda está em tempo. Podíamos pedir duas horas de silêncio no palco de música eletrônica…

As origens do Comendador

Cláudio Jorge

Everaldo de Barros, meu pai, e Paulo Medeiros, pai do Paulinho Albuquerque, eram muito amigos e constantemente estavam reunidos para festas e encontros,  muitas das vezes na casa do Paulo Medeiros.

Na foto, da esquerda pra direita, vemos Everaldo de Barros, Paulo Medeiros, Linda Batista, Dircinha Batista,  Lupicínio Rodrigues, a mãe das irmãs Batista, Aracy de Almeida, Sara (mãe do Comendador Albuquerque) e o jornalista Quintanilha.

Essa turma era da pesada. O Paulinho me disse que a Sara, lembrando dessa época, contou que, numa noite, já era muito tarde e ninguém ia embora. Todo mundo cantando, bebendo e ela reclamando. Meu pai pegou ela pelo braço e veio conversando, andando pelo apartamento. Veio andando, chegou até a porta de entrada, abriu e colocou a Sara do lado de fora. É mole?