G.R.E.S. Unidos do Casseta & Planeta

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Na foto, os destaques da escola exibem suas fantasias minimalistas…O cara usando a guitarra amarela como tapa-sexo é Mu Chebabi, da ala de compositores.

O carnaval está aí de novo…É hora de relembrar mais uma faixa carnavalesca produzida pelo Paulinho Albuquerque…Do repertório do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Unidos do Casseta & Planeta, o memorável samba enredo Apogeu e Glória do Rock’n Roll, de Bussunda, Beto Silva, Claudio Manoel e Mu Chebabi…Alô, bateria!…

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Com vocês, Casseta & Planeta…

Aqui quem fala é o DJ Reinaldo e vocês vão ouvir agora mais uma faixa produzida pelo Paulinho Albuquerque…Essa está no CD The Bost of Casseta & Planeta e se chama Caldo Verde. É uma linda toada ecologicamente incorreta de autoria de Bussunda, Claudio Manoel, Beto Silva e Mu Chebabi. A canção é interpretada por Hubert e Marcelo Madureira (que atualmente poderiam até formar uma dupla sertaneja: “Agamenon e Jacinto Leite Aquino Rêgo”). O arranjo é de Mu Chebabi e Itamar Assiere e conta com as participações SUPER ESPECIAIS de Sivuca (acordeon) e Marcos Suzano (percussão). No teclado, Itamar Assiere, no violão Mu Chebabi e, no baixo, este DJ que vos fala… Observem o contraste entre a belíssima melodia e a letra, que deixa qualquer Al Gore ou Marina Silva de cabelo em pé…

O Convite

Beto Silva

Era este o cartaz do primeiro show no Jazzmania...

Era o ano de 1988 e nós do Casseta & Planeta tínhamos acabado de ser contratados pela Globo pra ser roteiristas do TV Pirata. Quer dizer, ainda não era Casseta & Planeta. Tinha a Casseta Popular (eu, Bussunda, Helio, Claudio Manoel e Marcelo) e tinha o Planeta Diário (Reinaldo e Hubert)

Estávamos animados,  lá na sede da Casseta Popular,  escrevendo os quadros do programa, quando chegou uma notícia:

– Ligou um cara aí que tá fazendo a programação musical do Jazzmania e quer que a Casseta faça um show.

– Quem? Nós?

– É , nós da Casseta , junto com o pessoal do Planeta Diário.

– Mas fazer o quê? Jazzmania não é jazz? Esse cara quer que a gente toque jazz?

– Sei lá! A gente não toca porra nenhuma nem canta! Será que ele sabe quem somos nós?

– E alguém aí conhece esse cara?

Bom, acabamos descobrindo que “esse cara” era o Paulinho Albuquerque, um produtor musical de gente bacana, Djavan, Ivan Lins e outros. E “esse cara” conhecia a gente sim, e era fã da revista e do jornal.  Acabamos topando, naquela época a gente topava qualquer negócio. Nós não sabíamos muito bem o que fazer num palco, mas o Paulinho Albuquerque sabia que a gente podia fazer um show bem legal.  Ele viu o que  a gente não viu .

Então nos reunimos  com a galera do Planeta e, como o tal do Jazzmania era uma casa de shows musicais, concluímos que tínhamos que fazer algumas músicas.  Então chamamos um amigo músico, o Mu Chebabi, que arregimentou uma banda. E  começamos a compor: daí saíram clássicos como Mãe é Mãe, Tô Tristão, Nietzche,  entre outras.  Bolamos também uns esquetes, a “Piada em Debate” saiu nessa época.  O Paulinho assistia aos ensaios, rindo, se divertindo e dando palpites, que a gente gostava. O Paulinho  acabou virando diretor daquele show. E o show foi um sucesso.

O cara não sacava só de música, era um especialista em humor. Me lembro de quase babar ao ver a coleção completa de vídeos do Monty Phyton que ele tinha em casa. A gente conhecia os filmes, mas o programa de TV dos caras ninguém tinha, só o Paulinho. E naquela época não tinha Amazon não! Ele comprava tudo quando viajava pros States. E foi daquela coleção montyphytiana que saíram os vídeos que passavam no intervalo do nosso show do Jazzmania. John Cleese fazendo silly walk era uma raridade no Brasil, mas o Paulinho conhecia!

Daquele convite do Paulinho surgiram várias coisas. Primeiro,  a ligação do Casseta Popular com o Planeta Diário, que por conta disso acabaria se transformando no Casseta & Planeta. Pois é, foi o Paulinho  que nos juntou. Segundo,  a carreira musical do grupo, que acabou resultando em vários discos (“Preto com um buraco no meio”, “Pra comer alguém” e “The Bost Of” ) e shows (“Eu vou tirar você desse lugar” , “ A noite dos Leopoldos”) e o Paulinho dirigiu e produziu isso tudo. E o mais importante: daquele convite surgiu a amizade com “esse cara”, o comendador Albuquerque!

Com vocês, Casseta & Planeta e Djavan…

Aqui quem fala é o DJ Reinaldo e vocês vão ouvir agora mais uma faixa de um CD produzido pelo Paulinho Albuquerque… No caso, a música é Tributo a Bob Marley, do LP Preto Com um Buraco no Meio. Como a letra falava de um cara que foi ” para Paris, Londres, Amsterdam, ganhar alguma grana imitando Djavan…”, o Paulinho chamou o próprio para fazer uma participação especial, imitando ele mesmo…A composição é de Bussunda, Beto Silva, Claudio Manoel, Hubert, Mané Jacó e Mu Chebabi.

E para tocar esse reggae  foram convocados os seguintes craques: Celso Fonseca / guitarra, Jamil Joanes / baixo, Teo Lima / bateria, Carlinhos Brown / percussão. Arranjo do coro: Paulinho Soledade. No vocal, Hélio, Hubert e Djavan. A capa do LP é de Luiz Stein e Gringo Cardia.

A Noite dos Leopoldos

Um momento de beleza e nostalgia…Vejam aí a capa e as duas primeiras páginas do programa do espetáculo A Noite dos Leopoldos, dirigido por Paulinho Albuquerque, em 1992. A estréia foi no Teatro Ipanema. Além dos másculos Leopoldos, a equipe tinha quatro criaturinhas fofas, todas no diminutivo: Robertinho, Paulinho, Rogerinho e Joãozinho…

O ronco e um diálogo albuquerqueano

Itamar Assiere

Itamar Assiere, pianista, arranjador e ouvinte privilegiado do ronco do Comendador.

As minhas histórias do Paulinho podem começar pelo ronco dele, que foi o mais alto que já ouvi na vida! Difícil achar outro igual!

Quando toquei no show do Casseta & Planeta  em Vitória, a produção me botou pra dividir o quarto com ele. Eu não me lembro de ter conseguido dormir. Mas lembro bem da minha tentativa desesperada de dormir: pra tentar competir com o ronco, eu liguei a televisão fora do ar no último volume, pra ver se o barulho dela se misturava com o ronco e aí eu abstraía. Claro que não deu certo… Isso se chama desespero!

Devo muito ao Paulinho, que foi de uma generosidade descomunal comigo. Eu conheci ele num show do Cláudio Nucci,  no Rio Jazz Club. Ele foi lá pra falar comigo sobre o grupo Batacotô. O Sizão Machado tinha acabado de me chamar e ele foi lá me ver tocar e marcar uma reunião pra conversar sobre a banda.

Em 93, ele me perguntou se eu fazia arranjo. Eu disse que sim, e ele me deu dois arranjos para a Fátima Guedes. Ele nem quis conferir se eu fazia arranjo direito, só acreditou na minha palavra e na sua intuição. E depois ainda me chamou pra gravar o CD da Rosa Passos!

Uma vez eu estava em Goiânia, com a Bibi Ferreira. Lembrei que  Bororó, o baixista, tinha se mudado pra lá, e liguei pro Paulinho pra pedir o telefone dele. E o papo foi assim:

– Oi, Paulinho, aqui é o Itamar.

– Fala! E aí?

– Seguinte: tô aqui em Goiânia e preciso…

– Ué! Foda-se!… “Ah… tô aqui em Goiânia”… Foda-se!

– Tá, tá legal, você tem razão… eu só queria o telefone do Bororó…

Mais tarde ele me ligou passando o telefone do Bororó, e ainda detonou o colega, que tinha deixado furo num show do Cláudio Jorge que ele estava dirigindo… Puro humor albuquerqueano!

A primeira faixa do primeiro disco

Reinaldo

Um dia Paulinho Albuquerque teve a idéia de juntar a Casseta Popular e o Planeta Diário num show de humor ao vivo, no palco do Jazzmania. Na época, ele era responsável pela programação da – hoje extinta – casa de shows em Ipanema. E nós, do Planeta e da Casseta, só fazíamos o jornal, a revista e éramos roteiristas do TV Pirata. A idéia do show, a princípio, pareceu meio absurda e sem sentido, já que todo mundo no grupo era redator e não ator… Mas o Paulinho tinha faro, intuição e era um cara muito ligado em humor (ele tinha uma coleção enorme de videos,em VHS, do Monty Python e outros craques do humor internacional).

Naquele tempo ele não conhecia nenhum de nós pessoalmente, mas conhecia o irmão do Marcelo Madureira, o Manfredo, que trabalhava também com produção musical. O Paulinho pediu pro Manfredo marcar uma reunião com todo mundo e aí pintou a idéia do show de humor musical. O Claudio Manoel convocou Mu Chebabi para botar música nas letras, o Bussunda achou que seria uma boa imitar o Tim Maia, o Hubert inventou o Paulo Francis cantando Garota de Ipanema e a coisa foi começando a tomar forma.

Resumindo a história: o show, chamado “Eu Vou Tirar Você Deste Lugar” ficou em cartaz no Jazzmania, às segundas-feiras, de abril a junho de 1988. Todo mundo foi lá, tout Riô , como diriam os franceses. Até o Boni foi e, depois de ver o show, achou que os caras da Casseta e do Planeta podiam aparecer na frente das câmeras. Depois disso, vieram outros shows e três discos (um LP e dois CDs), tudo com a direção do Paulinho. Mas o que eu queria mostrar aqui é a primeira faixa do primeiro disco, o LP “Preto com um Buraco no Meio”. No início da faixa, ouçam o diálogo entre Paulinho Albuquerque e Bussunda.

A música é “Mãe é Mãe”, de Bussunda e Mu Chebabi. A bela canção, um funk no estilo Tim Maia, é o desabafo desesperado de um namorado infeliz, ferido no seu orgulho de macho, depois de levar um pé na bunda.

E olha só o time que o Paulinho convocou para esta faixa:  Leo Gandelman (sax barítono e arranjo), Bidinho (trompete), Zé Carlos Bigorna (sax alto), Serginho Trombone, William Magalhães (teclados), Torcuato Mariano (guitarra), Fernando Souza (baixo) , Claudio Infante (bateria) e Armando Marçal (percussão). No vocal, Claudio Manoel e Bussunda. Clica aí…