Mais duas imagens

A parada é a seguinte: mais duas imagens acabam de entrar para o acervo do blog do Comendador. Uma delas é de 1990, feita pelo fotógrafo Bruno Veiga, durante uma reunião de planejamento para o primeiro disco do Guinga, Simples e Absurdo. Esta foto também está na biografia do Guinga (O Compositor que Perpetua o Tempo, de Mario Marques).

Infelizmente ninguém se lembra o motivo dessa risada tão boa, mas era sempre assim: bom humor nunca faltou nos trabalhos com Paulinho Albuquerque. Por falar em humor, naquela prateleira ali atrás tem várias fitas VHS com programas de TV do grupo Monty Python, que ele adorava.

Outra coisa: na época, Paulinho estava com a mobília bucal desfalcada, passando por um tratamento dentário que seria finalizado pouco tempo depois. Mas o dentista responsável não foi o Dr. Carlos Althier de Souza Lemos Escobar, que estava ali presente apenas na função de Guinga, compositor e violonista no início de uma carreira de sucesso.

A outra foto foi feita em 2001, por um fotógrafo ainda não identificado. O ambiente é o mesmo, o aposento que Paulinho chamava de “o quarto do som”. Na parede, fotos de grandes nomes da música: Djavan, Milton Nascimento com Sarah Vaughan e João Bosco, Clementina de Jesus com Turíbio Santos, Fátima Guedes, Tom Jobim descansando e Gilberto Gil no atabaque. Paulinho com Djavan e Aldir Blanc, Luiz Gonzaga e Vinícius de Moraes…Nesta foto, Paulinho Albuquerque achava que tinha ficado parecido com o Vinícius de Moraes, que está ali ao lado. Alíás, Vinícius era o “Poetinha”, e Paulo Albuquerque era o “Paulinho”. Tinham em comum esse diminutivo carinhoso. Mas eram grandes figuraças, tipo extra-extra-large.

A Gilda dos Trópicos

Bruno Veiga

Estávamos eu, Paulinho e mais um amigo na Cobal do Leblon num sábado, no final da manhã. Chopp, comida nordestina e muita conversa. Nosso amigo em comum estava se separando da mulher e trocávamos experiências sobre este momento com aqueles comentários típicos: mulher isso, mulher aquilo, mulher aquilo outro. Ah, as mulheres…
Até que nosso amigo tocou na questão central que lhe corroía o coração: como ele ia viver sem aquela mulher que tinha aquela parte do corpo cultuada pelos brasileiros tão grande e tão perfeita. Era uma verdadeira Gilda dos trópicos.
Realmente ele tinha toda a razão, ia ser difícil encontrar e amar outra igual. Sinceramente compungido com o drama do colega, Paulinho comenta:
– Realmente vai ser foda, fulano. A sicrana tem uma bunda sensacional, daquele tipo que caga em pé e não suja o tornozelo…
Riso geral…A fossa foi esquecida por algum tempo. E esse era o Paulinho, 0% de politicamente correto babaca, mas absolutamente ético na sua postura diante da vida e do trabalho.
Com Paulinho não tem chega de saudade.
É sempre com muita saudade.

Atendendo a pedidos, mais uma tentativa de caricatura do Comendador, desta vez com seus inseparáveis óculos pendurados no pescoço. (Reinaldo)

 

 

A noite em que Paulinho “cuidou” da Vivi pra mim

Bruno Veiga

Bela noite de réveillon no meu apê em Copacabana. Festa cheia, todo mundo animado, bebendo adoidado e eu totalmente enrolado cuidando da cerveja, do gelo, do som, etc.
Eu tinha conhecido a Vivi há algumas semanas, estava encantado por ela e a convidei para a festa. Vivi tinha uns 23 anos na época. No meio da bagunça, apresentei ela ao Paulinho e pedi para ele mantê-la em segurança, longe dos abutres que já começavam a paquerá-la. A noite correu, eu e Vivi trocamos uns beijinhos, o dia foi nascendo e a festa acabando…

Uns dez dias depois, me liga o Paulinho:

– Bruno, você não imagina quem dormiu lá em casa esta noite?
– Quem, Paulinho?
– A Vivi.

Os 30 e tantos anos de diferença de idade entre eles não impediram o Paulinho de cuidar muito bem da Vivi para mim. E cuidou tão bem que eles se casaram e juntos tiveram o João.

Na foto de Bruno Veiga, João (sete dias) e dois fãs.

A saga de uma capa

Reinaldo

A foto da capa do CD do Trio Calafrio, produzido pelo Paulinho em 2003, teve a direção de arte de Ricardo Leite e o fotógrafo foi Bruno Veiga. A locação era em Inhaúma, perto da casa do Luiz Grande, um dos integrantes do trio. A idéia do Paulinho era botar um cachorro vira-lata como o “quarto beatle”, digamos assim. Aparentemente, ele nunca tinha dirigido animais irracionais e, para piorar a a situação, o tal cachorro se mostrou um ator temperamental, cheio de manias e problemas de ego. Enfim, não parava quieto. A solução foi desistir do “quarto beatle” canino e partir para um Plano B. Paulinho então recrutou um dos muitos garotos da vizinhança que estavam ali em volta, assistindo à sessão de fotos. Mediante um cachê e uma autorização, o jovem figurante acabou fazendo o papel de George Harrison e capa ficou essa maravilha que está aí.

E tem mais um detalhe, lembrado pelo Itamar Assiere…O dono daquele Passat amarelo disse que ia tirar o carro daqui, “para não estragar a foto”. Na hora, o Comendador gritou: “Não! Deixa o carro aí!”. Se vocês olharem a foto original, aquela da Abbey Road, vão ver que tinha lá um fusca, exatamente na mesma posição desse Passat amarelo. Paulinho Albuquerque estava ligado…