A Gilda dos Trópicos

Bruno Veiga

Estávamos eu, Paulinho e mais um amigo na Cobal do Leblon num sábado, no final da manhã. Chopp, comida nordestina e muita conversa. Nosso amigo em comum estava se separando da mulher e trocávamos experiências sobre este momento com aqueles comentários típicos: mulher isso, mulher aquilo, mulher aquilo outro. Ah, as mulheres…
Até que nosso amigo tocou na questão central que lhe corroía o coração: como ele ia viver sem aquela mulher que tinha aquela parte do corpo cultuada pelos brasileiros tão grande e tão perfeita. Era uma verdadeira Gilda dos trópicos.
Realmente ele tinha toda a razão, ia ser difícil encontrar e amar outra igual. Sinceramente compungido com o drama do colega, Paulinho comenta:
– Realmente vai ser foda, fulano. A sicrana tem uma bunda sensacional, daquele tipo que caga em pé e não suja o tornozelo…
Riso geral…A fossa foi esquecida por algum tempo. E esse era o Paulinho, 0% de politicamente correto babaca, mas absolutamente ético na sua postura diante da vida e do trabalho.
Com Paulinho não tem chega de saudade.
É sempre com muita saudade.

Atendendo a pedidos, mais uma tentativa de caricatura do Comendador, desta vez com seus inseparáveis óculos pendurados no pescoço. (Reinaldo)

 

 

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A noite em que Paulinho “cuidou” da Vivi pra mim

Bruno Veiga

Bela noite de réveillon no meu apê em Copacabana. Festa cheia, todo mundo animado, bebendo adoidado e eu totalmente enrolado cuidando da cerveja, do gelo, do som, etc.
Eu tinha conhecido a Vivi há algumas semanas, estava encantado por ela e a convidei para a festa. Vivi tinha uns 23 anos na época. No meio da bagunça, apresentei ela ao Paulinho e pedi para ele mantê-la em segurança, longe dos abutres que já começavam a paquerá-la. A noite correu, eu e Vivi trocamos uns beijinhos, o dia foi nascendo e a festa acabando…

Uns dez dias depois, me liga o Paulinho:

– Bruno, você não imagina quem dormiu lá em casa esta noite?
– Quem, Paulinho?
– A Vivi.

Os 30 e tantos anos de diferença de idade entre eles não impediram o Paulinho de cuidar muito bem da Vivi para mim. E cuidou tão bem que eles se casaram e juntos tiveram o João.

Na foto de Bruno Veiga, João (sete dias) e dois fãs.

A saga de uma capa

Reinaldo

A foto da capa do CD do Trio Calafrio, produzido pelo Paulinho em 2003, teve a direção de arte de Ricardo Leite e o fotógrafo foi Bruno Veiga. A locação era em Inhaúma, perto da casa do Luiz Grande, um dos integrantes do trio. A idéia do Paulinho era botar um cachorro vira-lata como o “quarto beatle”, digamos assim. Aparentemente, ele nunca tinha dirigido animais irracionais e, para piorar a a situação, o tal cachorro se mostrou um ator temperamental, cheio de manias e problemas de ego. Enfim, não parava quieto. A solução foi desistir do “quarto beatle” canino e partir para um Plano B. Paulinho então recrutou um dos muitos garotos da vizinhança que estavam ali em volta, assistindo à sessão de fotos. Mediante um cachê e uma autorização, o jovem figurante acabou fazendo o papel de George Harrison e capa ficou essa maravilha que está aí.