Na cozinha com o Comendador

Paulinho_Djavan_Aldir

E pra vocês que gostam de dicas de culinária, aí vai uma receita de sanduíche de Djavan…Pega-se uma fatia de Paulinho Albuquerque e uma fatia de Aldir Blanc. No meio, coloca-se um Djavan inteiro. E está pronto!… Para acompanhar o sanduíche de Djavan, o ideal é um suco de açaí, guardiã, zum de besouro. (a dica do suco é do jornalista musical e gourmet Márcio Pinheiro).

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Com vocês, Fátima Guedes, Guinga e Aldir Blanc…

Aqui fala o DJ Reinaldo e vamos ouvir agora mais uma faixa de um disco produzido pelo Paulinho Albuquerque. No caso, é uma faixa do CD  Grande Tempo, da Fátima Guedes, gravado em 1995. A música é O Côco do Côco, uma parceria de Guinga e Aldir Blanc. É uma espécie de música de utilidade pública, na área da consultoria sexual popular…A turma que acompanha a Fátima, como sempre acontecia nos discos feitos pelo Comendador, é do primeiro time: Guinga no violão, Lula Galvão no violão e cavaquinho, Carlos Malta no piccolo e Marcos Suzano na percussão. Som na caixa…

Sonhando com o Comendador

Paulo Malaguti Pauleira

Eu queria escrever algum lance sobre o saudoso Paulinho Albuquerque e realmente tenho muitas coisas a lembrar dessa grande figura carioca. Mas fui dar uma olhada no blog e quase todo mundo tinha um causo hilário do Paulinho, que de fato era espirituoso e muito esperto, com um humor grosso e fino ao mesmo tempo, na medida e na hora certa. Fiquei assim sem graça de só falar as coisas importantes em que ele me incluiu muito generosamente e ficar num tom cerimonioso que não interessa a ninguém. Pois bem: não é que agora, viajando a Portugal passeando com minha mulher, sonhei com o Comendador?

Era uma situação de sonho mesmo, em que havia vários músicos, me lembro do Zé Nogueira e do Rodrigo Campello e havia uma sensação boa de reconhecimento simpático a mim.  E aí de repente aparece o Paulinho, de bigodinho, bermuda, tênis e meia, super bicha afetada. E eu perguntei:

– Mas é o Paulinho?  Pensando: Ué, ele não morreu?

E alguém explicou que aquele era o irmão gêmeo gay do Paulinho Albuquerque (!) …

Essa aparição em sonho é o máximo de hilário que consigo contar sobre o Paulinho Albuquerque. Na vida real ele foi o responsável por alguns lances importantíssimos na minha carreira de músico. Minha participação no “Simples e Absurdo”, primeiro disco do Guinga, cantando, tocando e arranjando “Sete estrelas”. A primeira incursão de estúdio do Arranco de Varsóvia num CD lindaço da Fátima Guedes chamado “Grande Tempo”. Gravamos um samba do Lenine e Bráulio Tavares, “O dia em que faremos contato”. E no CD de 50 anos do Aldir Blanc cantamos “Vim sambar” parceria com J. Bosco, com a base poderosa do Peranzzetta, e eu tive a honra de escrever o arranjo vocal (ficou bem bacana).

Olhaí Reinaldo, arrumei uma passagem hilária espiritual-freudiana pra homenagear o grande Paulinho Albuquerque…

Com vocês, Rosa Passos

Aqui quem fala é o DJ Reinaldo e você vai ouvir agora uma faixa do disco que o Itamar Assiere lembrou lá no post dele…

O CD Festa, de Rosa Passos, produzido pelo Paulinho em 1993. A música é Paris : de Santos Dumont aos Travestis, de Aldir Blanc e Moacyr Luz.

No piano, Itamar Assiere, no violão Lula Galvão, no baixo Jorge Helder, na bateria Erivelton Silva e Ovidio Brito no pandeiro e no ganzá…Clica aí e sente o balanço…

Dois lances do Paulinho

O Paulinho parece que está pensando: “O Aldir é grande pra caramba! Se tiver que sair na porrada a gente se garante…”


Aldir Blanc

1. Fomos a um jogo Vasco X Flu. Paulinho, botafoguense, preocupava-se comigo, que estava bem de porre, com um retrato do lateral Orlando Lelé grudado no peito. Fomos de cadeira cativa. Uns tricolores logo atrás começaram a xingar o Vasco com palavrões cabeludíssimos. Reagi com meu estoque Estácio de ofensas raras. No intervalo, houve um começo de confronto e notamos, chocados, que éramos dois, e os caras, sem sacanagem, uns doze. Paulinho me disse: “Calma. Fui da Miguel Lemos e aprendi judô. O segredo é usar o próprio impulso  dos caras contra eles…”. Fizemos isso e apanhamos pra cacete. Paulinho, é claro, não perdeu a pose e deu várias explicações “técnicas” para a nossa acachapante derrota.

2. Paulinho ia nas gravações dos primeiros Lps do João Bosco, numa galeria em frente à Praça Arco Verde. Gostávamos do local porque havia ao lado uma espécie de centro cultural de inglês, no qual Paulinho apanhava tesouros como W.H. Auden dizendo os próprios poemas, etc. Também havia, na tal galeria, a maior concentração de manicures gostosas do planeta. Algumas até foram convidadas  para “fotos artísticas” no ateliê do Mello Menezes… Um dia, estamos lá na galeria tomando cerveja (durante a gravação de “Galos de Briga”) e um bicão invade a nossa conversa sobre Haroldo Barbosa, que adorávamos. Em tabelinha intuitiva, inventamos que Haroldo havia feito “Luminosa Manhã” apaixonadíssimo, no fim da vida, para uma certa jovem, um amor impossível… Um ano antes de Paulinho morrer – ou seja, uns 30 ANOS DEPOIS – fomos à inauguração de uma casa noturna. O Mello, de porre, estava encerrando a noitada com sua soberba interpretação de “Luminosa Manhã”, quando um cara encosta e detona: “Essa música tem uma história linda. O Haroldo Barbosa estava apaixonado por uma jovem, um amor impossível e…” Paulinho e eu rimos de chorar.

Paulinho e Aldir no momento em que inventaram o Sanduíche de Djavan.