Com vocês, Bagulhobom…

bagulhobom 603_texto

Meus amigos, vocês vão ver e ouvir agora uma produção que o Paulinho Albuquerque não fez mas adoraria ter feito: uma faixa do Bagulhobom, um novo quarteto que está aí na área. O papo é sério e o bagulho é ótimo. É música instrumental brasileira da boa… Cláudio Jorge, Ivan Machado, Leonardo Amuedo e Marcelinho Moreira trabalharam com Paulinho Albuquerque e conheceram bem a figura. Olha aí o que eles têm a dizer:

O Bagulhobom é filho do Paulinho e da Vivi. Nasceu algum tempo depois que ele foi embora mas nós sabemos que ele tá nessa também. A Vivi criou e agitou toda a parada. Ela conhece bem agora os caminhos a seguir. Paulinho trabalhava sempre com muita paixão, seriedade, alegria e respeito pela música e pelos músicos. A Vivi tá seguindo com a mesma levada e ainda com um toque feminino que o Paulinho, claro, não tinha, rsrs… Viva o Paulinho e salve a Vivi.  (Ivan Machado)

Acho que o Paulinho ia falar pra mim assim:  “Você aprendeu a tocar samba assim no Uruguai? …Essa merda (o Uruguai, é claro) está pendurada no Brasil e nāo cai, porra!” Hahahahah…Isso para mim vindo dele era um elogio, é claro… (Leonardo Amuedo)

O Comendador Albuquerque já deve estar produzindo nosso primeiro disco lá de cima e desenhando a luz do show também. Acho que tudo que a gente for fazer vai ter uma forte inspiração nele. Agora, se ele estivesse por aqui iria estar pegando no pé de todo mundo, da Vivi aos técnicos de gravação. Uma coisa que ele provavelmente diria é que esse conjunto tem tudo pra nāo dar certo. Só tem botafoguense e um uruguaio representando o Loco Abreu. Bem do jeito que ele costumava sacanear o time do coração. (Cláudio Jorge)

É… Com certeza o Bagulho é coisa do Paulinho e se é dele, é bom!!! Paulinho sempre plantou coisa boa porque sempre prezou a música e o talento. O fato de sermos o “BAGULHOBOM” não quer necessariamente dizer que sejamos os mais musicais ou os mais talentosos mas certamente somos amigos colhidos dessa fértil plantação do Comendador e hoje estamos sendo regados por ele através da Vivi.

O Bagulho será distribuído para que seja experimentado por muitos pois o Paulinho não se limitava ao seu metro quadrado, ele sempre se expandia e se misturava pra mostrar que pra música não existem fronteiras.

Por outro lado, acho que seu alto grau de exigência, também o faria dizer que o nome até pode ser Bagulho mas que pra ser Bom teria que esperar um pouco…. Kkkkkkkkk. E esse tipo de coisa era ótima, pois mexia com nossos brios e funcionava como a “cenourinha” que nos fazia correr mais e mais em direção ao melhor.

Hoje estamos aqui, o Bagulho é nosso mas é pelo Paulinho. Afinal, é um lance de amizade, musicalidade e verdade. Cada um com a sua mas que no final se torna uma coisa só. Foi isso que vivemos em vida com o Paulinho Albuquerque e agora não pode ser diferente. (Marcelinho Moreira)

Anúncios

Amor em Preto e Branco

Helio de la Peña

Marcelinho Moreira já foi personagem de histórias aqui no blog do Comendador. Agora está de volta pra falar de uma faixa que acaba de gravar para o seu novo CD “FÉ NO BATUQUE”. A música “Amor em Preto e Branco” criada por ele e Claudio Jorge, reuniu uma seleção de botafoguenses no estúdio. Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Regina Casé e este que vos escreve. Curiosamente a produção foi comandada por um rubro-negro. Arlindo Cruz recebeu o espírito de Paulinho Albuquerque. Nosso comendador tinha o plano de produzir o CD do Marcelinho, mas o tempo impediu que o sonho se concretizasse. Bom, o resto dessa história é melhor deixar o próprio Marcelinho contar…

Vejam (e ouçam) como ficou a faixa “Amor em Preto e Branco”:

O Palbuca

Paulinho, Riachão, Claudio Jorge e Luiz Carlos da Villa

Paulinho e João Bosco

Cláudio Jorge

Foi tanta coisa que vivi com o Paulinho…Mas agora estou me lembrando do dia em que fomos juntos à Bahia para a apresentação do projeto “A Cor da Cultura”, do Canal Futura. Éramos um grupo grande de instrumentistas, cantores, técnicos, produtores e o Paulinho fazendo a direção do show.

Encontrar com Paulinho era garantia de boas risadas, por conta do seu bom humor e também pelo seu mau humor, que sempre era engraçado.

Ele tinha uma capacidade de abordar coisas sérias brincando que era muito interessante. Nosso amigo Marcelinho Moreira, por exemplo, grande instrumentista, preparava-se para lançar seu primeiro disco. Estava virando “canário”, como nós músicos costumamos brincar com os cantores de um modo geral.

O primeiro CD de Marcelinho Moreira, de 2006, quando o batuqueiro virou "canário".

A maneira que o Paulinho usava para ficar cutucando o Marcelinho sobre isso era muito boa. Toda vez que a gente pegava a van pra ir do hotel ao Teatro Castro Alves o Paulinho mandava: ” Que coisa incrível, né gente? O Marcelinho é uma pessoa tão legal, tão simples. Ele até viaja com a gente aqui na van numa boa…” Cada vez que ele falava isso era num tom diferente e a gente adorava, inclusive o Marcelinho. Paulinho foi a primeira pessoa a investir na carreira do Marcelinho e a amizade entre os dois tornava a pilha mais engraçada ainda.

Por ironia do destino, Marcelinho e eu estávamos juntos numa van indo de Lisboa para Coimbra, quando soubemos o que tinha acontecido aqui no Rio no dia 26 de junho de 2006.

Me lembro que pouco antes de irmos pra Bahia uma produtora do Futura me falou que não estava conseguindo se comunicar com o Paulinho. Ela digitava paubuca@… e não dava certo. Expliquei pra ela, com toda a delicadeza, que o pau do paubuca era  com “L”, de P. ALbuquerque. Ela teve uma crise de risos com a armadilha criada pelo Paulinho, principalmente porque tava achando muita cara de pau aquele endereço de e-mail. Até o final do trabalho toda vez que a Cláudia olhava pra ele ria  à toa.

Paulinho brincava com isso, brincava com tudo. Era uma alegria que vinha de longe e que nunca deixou de se manifestar, mesmo com os cabelos brancos tomando conta de sua cabeça. Uma cabeça muito boa, por sinal. 

Ainda sobre e-mail…

Paulinho me enviou este e-mail em 21 de junho de 2006, cinco dias antes de partir.  Nele dá pra sentir como ele sacaneava tudo e todos com seu maravilhoso humor.

“De:  palbuca@terra.com.br

Assunto: Re: todos                  

Data: 21 de junho de 2006 14h20min30s GMT-03:00

Para:  claudiojorge@terra.com.br

Claudio

O velório do Bussunda foi foda pra segurar. Fiquei me controlando mas assim que vi os outros todos juntos, passou o maior filme na minha cabeça, lembrando do nosso início de trabalho e pensando como era inimaginável ver algum dia aqueles gozadores todos chorando como crianças.  Claro que caí no maior choro também.  Pela primeira vez na minha vida, vi o Reinaldo completamente descontrolado.  Aqueles caras foram, durante muito tempo, a minha família, você sabe.  O Beto – eles não perdem a oportunidade de fazer piada mesmo numa situação dessas – que é tricolor doente, ao me abraçar, chorando muito, disse: “Ô Paulinho, só mesmo o Bussunda pra fazer a gente entrar nessa porra”.  Ele se referia ao club Flamengo, onde foi o velório.

Bem, vamos às mais amenas:  o Brasil deve voltar dentro de mais alguns dias, pois o Parreira (aargh !) não pode barrar o Ronaldo, o Adriano, o Cafu, etc., por causa dos contratos com a Nike, né ?

Enquanto isso, os craques Dodô, Reinaldo, Scheidt e outros ficam aqui no Brasil assistindo a essas merdas.  Que injustiça !

Encontraram o Martinho ?   O Marcelinho continua exigindo suite presidencial nos hotéis?  A FIFA está puta da vida porque alegam que haviam combinado com o Marcelinho que sua excursão européia fosse APÓS a Copa e não durante.

Estão com problemas de público por isso, pois a turnê do Marcelinho está empanando a repercussão que poderia ter a Copa do Mundo.  Eu, particularmente, acho que eles estão exagerando e vejo até algum resquício daquele velho racismo nazista nessa manifestação da FIFA pois o presidente, como você sabe, é o Joseph Blatter, um alemão e a Copa , afinal de contas, é lá naquele reduto nazista.

Abs

Paulo