Um som bom pra começar o ano novo…

 

MUChebabi994644_nMu Chebabi é um cara que trabalhou muito ao lado de Paulinho Albuquerque. E o Mu acabou de gravar mais um disco, com novas composições e vários parceiros. A música que dá nome ao álbum, Flor da Baía da Guanabara, tem tudo a ver com o ano novo, foi feita pensando no momento da virada do ano…É uma parceria com Humberto Araújo, que também fez o arranjo para a sua Orquestra Criôla e faz o solo de sax barítono…O Comendador Albuquerque ia gostar muito de ouvir isso…

Fala aí, Mu…

“O Paulinho foi diretor de alguns shows que eu fiz. No Jazzmania, no Ballroom, entre outros. Esse shows foram para o lançamento do CD “Mu Chebabi”, meu primeiro, que ele produziu junto comigo. Ele foi o cara que me aproximou de vários amigos do mundo do samba. Conseguiu incríveis participações para o meu CD. Mas o que o Paulinho me ensinou, e que eu levo comigo, é como fazer a ordem do show. No meu caso, que tenho músicas de humor, outras bem humoradas, outras de amor e tudo mais, a ideia é : se você começar com o humor, fica difícil depois colocar as músicas mais sérias ou de amor. Essa fórmula eu uso até hoje. Tento até fazer diferente, mas nada é tão eficiente quanto isso”.

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Um show para o Comendador

Reinaldo

mu_acústico etc_web_cartazQuem acompanha este blog já sabe que Paulinho Albuquerque foi o responsável pelo aparecimento da banda Casseta & Planeta, que estreou em 1988, no Jazzmania, em Ipanema (onde hoje é o Studio RJ). E foi nesse show que eu toquei pela primeira vez com Mu Chebabi, que era nosso parceiro em todas as músicas do repertório. Numa comparação absurda, nós éramos o Aldir Blanc e ele era o João Bosco…E agora, tanto tempo depois, estou de novo num palco com o Mu, desta vez no show dele, “Uma Coisa é Uma Coisa, Outra coisa é Outra Coisa”, que está acontecento no Vizta, no Leblon. A diferença é que esse show é bem minimalista. É acústico, “unplugged e percussionless” : o Mu no violão e na voz, eu no contrabaixo e, no outro violão, o  guitarrista e produtor musical Fernando Clark. Essa sonoridade lembra um pouco aquelas formações de jazz cigano tipo Django Reinhardt. Só que a gente toca o repertório do Mu, que tem samba, funk, baião, reggae e outras bossas…Mas o que eu queria dizer é que estamos dedicando este show ao Comendador Albuquerque. Acho que ele ia gostar muito de ver isso…

Surfista

para comer alguém_cdVocê vai ouvir agora mais uma faixa de um disco produzido pelo Comendador Albuquerque…Essa é do CD Para Comer Alguém, do Casseta & Planeta, lançado em 1994. A música é Surfista, uma bela composição de Mu Chebabi, Bussunda, Claudio Manoel, Helio de La Peña e Beto Silva. A canção foi inspirada nos luaus onde a galera falava frases tipo “Ó o auê aí, ô…”  e protestava contra a devastação do couro cabeludo do nosso brou Kadu Moliterno…Na voz e no violão, Mu Chebabi. E mais: Itamar Assiere nos teclados, Paulo Muylaert nas guitarras, Reinaldo no baixo e Robertinho Freitas na bateria. Som na caixa, brou!

Uma canção chamada Mobral

Mu Chebabi

mu_chebabi_gdeEu comecei a fazer uma música em casa, com melodia e harmonia um pouco mais sofisticadas do que as outras que tínhamos no repertório para o primeiro disco do Casseta & Planeta. Eu tinha marcado com Hubert e Reinaldo de ir a redação do Planeta Diário pra gente fazer mais uma canção. Não sei ao certo se Hubert e Reinaldo já tinham começado a escrever a letra ou não. O certo é que nunca na história desse Planeta se fez uma canção de amor com metáforas e imagens tão safadas e românticas (se alguém fez, que se defenda!).

Saí de lá orgulhoso com a canção, que levou o título de Mobral. Mas quando o Nico Rezende chegou com o arranjo no estúdio Nas Nuvens, eu fiquei chapado. Pra quem não sabe, Nico é um músico completo. Além de compor canções maravilhosas, que estão aí até agora, sendo regravadas, atravessando o tempo com um corpinho de 18 aninhos, ele já era um arranjador cuidadoso e cheio de experiência.

O maior legado que o Comendador deixou pra mim foram os amigos. Fossem só grandes amigos, já seria ótimo, mas além disso ele me apresentou a grandes músicos. Toda a escolha dos arranjadores e músicos do LP Preto Com Um Buraco no Meio foi primorosa e garantiu o ótimo resultado desse disco.

Um dia uma cigana, lendo as cartas pra mim, disse que um dia apareceria um cara mais velho e que me ajudaria muito. Que seria um marco. Deve ter sido o Comendador. Se não era dele que a cigana falava, não será mais ninguém, até por que agora tá difícil encontrar alguém mais velho que eu e a cigana não vai devolver meu dinheiro.

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cd preto cbnmE vocês vão ouvir agora Mobral, composição de Mu Chebabi, Hubert e Reinaldo. Gravada em 1988 no LP Preto Com um Buraco no Meio, produzido por Paulinho Albuquerque. O arranjo é de Nico Rezende, que também pilotou os teclados. No baixo, Arthur Maia. Quem canta é Mu Chebabi e o recitativo na introdução é do Hubert. (Para quem chegou agora, é bom lembrar que Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização – era um programa de alfabetização para adultos que existiu nos anos 60/70).  Som na caixa…

Com vocês, Casseta & Planeta…

Aqui quem fala é o DJ Reinaldo e vocês vão ouvir agora mais uma faixa produzida pelo Paulinho Albuquerque…Essa está no CD The Bost of Casseta & Planeta e se chama Caldo Verde. É uma linda toada ecologicamente incorreta de autoria de Bussunda, Claudio Manoel, Beto Silva e Mu Chebabi. A canção é interpretada por Hubert e Marcelo Madureira (que atualmente poderiam até formar uma dupla sertaneja: “Agamenon e Jacinto Leite Aquino Rêgo”). O arranjo é de Mu Chebabi e Itamar Assiere e conta com as participações SUPER ESPECIAIS de Sivuca (acordeon) e Marcos Suzano (percussão). No teclado, Itamar Assiere, no violão Mu Chebabi e, no baixo, este DJ que vos fala… Observem o contraste entre a belíssima melodia e a letra, que deixa qualquer Al Gore ou Marina Silva de cabelo em pé…

O Convite

Beto Silva

Era este o cartaz do primeiro show no Jazzmania...

Era o ano de 1988 e nós do Casseta & Planeta tínhamos acabado de ser contratados pela Globo pra ser roteiristas do TV Pirata. Quer dizer, ainda não era Casseta & Planeta. Tinha a Casseta Popular (eu, Bussunda, Helio, Claudio Manoel e Marcelo) e tinha o Planeta Diário (Reinaldo e Hubert)

Estávamos animados,  lá na sede da Casseta Popular,  escrevendo os quadros do programa, quando chegou uma notícia:

– Ligou um cara aí que tá fazendo a programação musical do Jazzmania e quer que a Casseta faça um show.

– Quem? Nós?

– É , nós da Casseta , junto com o pessoal do Planeta Diário.

– Mas fazer o quê? Jazzmania não é jazz? Esse cara quer que a gente toque jazz?

– Sei lá! A gente não toca porra nenhuma nem canta! Será que ele sabe quem somos nós?

– E alguém aí conhece esse cara?

Bom, acabamos descobrindo que “esse cara” era o Paulinho Albuquerque, um produtor musical de gente bacana, Djavan, Ivan Lins e outros. E “esse cara” conhecia a gente sim, e era fã da revista e do jornal.  Acabamos topando, naquela época a gente topava qualquer negócio. Nós não sabíamos muito bem o que fazer num palco, mas o Paulinho Albuquerque sabia que a gente podia fazer um show bem legal.  Ele viu o que  a gente não viu .

Então nos reunimos  com a galera do Planeta e, como o tal do Jazzmania era uma casa de shows musicais, concluímos que tínhamos que fazer algumas músicas.  Então chamamos um amigo músico, o Mu Chebabi, que arregimentou uma banda. E  começamos a compor: daí saíram clássicos como Mãe é Mãe, Tô Tristão, Nietzche,  entre outras.  Bolamos também uns esquetes, a “Piada em Debate” saiu nessa época.  O Paulinho assistia aos ensaios, rindo, se divertindo e dando palpites, que a gente gostava. O Paulinho  acabou virando diretor daquele show. E o show foi um sucesso.

O cara não sacava só de música, era um especialista em humor. Me lembro de quase babar ao ver a coleção completa de vídeos do Monty Phyton que ele tinha em casa. A gente conhecia os filmes, mas o programa de TV dos caras ninguém tinha, só o Paulinho. E naquela época não tinha Amazon não! Ele comprava tudo quando viajava pros States. E foi daquela coleção montyphytiana que saíram os vídeos que passavam no intervalo do nosso show do Jazzmania. John Cleese fazendo silly walk era uma raridade no Brasil, mas o Paulinho conhecia!

Daquele convite do Paulinho surgiram várias coisas. Primeiro,  a ligação do Casseta Popular com o Planeta Diário, que por conta disso acabaria se transformando no Casseta & Planeta. Pois é, foi o Paulinho  que nos juntou. Segundo,  a carreira musical do grupo, que acabou resultando em vários discos (“Preto com um buraco no meio”, “Pra comer alguém” e “The Bost Of” ) e shows (“Eu vou tirar você desse lugar” , “ A noite dos Leopoldos”) e o Paulinho dirigiu e produziu isso tudo. E o mais importante: daquele convite surgiu a amizade com “esse cara”, o comendador Albuquerque!

A primeira faixa do primeiro disco

Reinaldo

Um dia Paulinho Albuquerque teve a idéia de juntar a Casseta Popular e o Planeta Diário num show de humor ao vivo, no palco do Jazzmania. Na época, ele era responsável pela programação da – hoje extinta – casa de shows em Ipanema. E nós, do Planeta e da Casseta, só fazíamos o jornal, a revista e éramos roteiristas do TV Pirata. A idéia do show, a princípio, pareceu meio absurda e sem sentido, já que todo mundo no grupo era redator e não ator… Mas o Paulinho tinha faro, intuição e era um cara muito ligado em humor (ele tinha uma coleção enorme de videos,em VHS, do Monty Python e outros craques do humor internacional).

Naquele tempo ele não conhecia nenhum de nós pessoalmente, mas conhecia o irmão do Marcelo Madureira, o Manfredo, que trabalhava também com produção musical. O Paulinho pediu pro Manfredo marcar uma reunião com todo mundo e aí pintou a idéia do show de humor musical. O Claudio Manoel convocou Mu Chebabi para botar música nas letras, o Bussunda achou que seria uma boa imitar o Tim Maia, o Hubert inventou o Paulo Francis cantando Garota de Ipanema e a coisa foi começando a tomar forma.

Resumindo a história: o show, chamado “Eu Vou Tirar Você Deste Lugar” ficou em cartaz no Jazzmania, às segundas-feiras, de abril a junho de 1988. Todo mundo foi lá, tout Riô , como diriam os franceses. Até o Boni foi e, depois de ver o show, achou que os caras da Casseta e do Planeta podiam aparecer na frente das câmeras. Depois disso, vieram outros shows e três discos (um LP e dois CDs), tudo com a direção do Paulinho. Mas o que eu queria mostrar aqui é a primeira faixa do primeiro disco, o LP “Preto com um Buraco no Meio”. No início da faixa, ouçam o diálogo entre Paulinho Albuquerque e Bussunda.

A música é “Mãe é Mãe”, de Bussunda e Mu Chebabi. A bela canção, um funk no estilo Tim Maia, é o desabafo desesperado de um namorado infeliz, ferido no seu orgulho de macho, depois de levar um pé na bunda.

E olha só o time que o Paulinho convocou para esta faixa:  Leo Gandelman (sax barítono e arranjo), Bidinho (trompete), Zé Carlos Bigorna (sax alto), Serginho Trombone, William Magalhães (teclados), Torcuato Mariano (guitarra), Fernando Souza (baixo) , Claudio Infante (bateria) e Armando Marçal (percussão). No vocal, Claudio Manoel e Bussunda. Clica aí…