Tom, Villa, Gilson & Arthur

Tom e Villa_capa_ webEm 1986, Paulinho Albuquerque produziu um disco que até hoje não foi lançado normalmente. O título era Tom & Villa, um LP em homenagem aos 100 anos de nascimento de Heitor Villa-Lobos, mas era um brinde de fim de ano, exclusivo para os amigos e clientes da Coca-Cola. Paulinho deu a ideia, e a empresa topou. A escalação era a seguinte: Gilson Peranzzetta no piano e o jovem Arthur Maia (que tanta falta está fazendo neste planeta) , no baixo. E a gravação contou também com o apoio de mais dois craques: Zé Nogueira no sax soprano e Armando Marçal na percussão.

Os arranjos eram do Gilson, que criou quatro longas suítes, combinando várias composições de Tom Jobim e Villa-Lobos, e Arthur Maia usou o seu baixo elétrico fretless (sem trastes) tirando um som tipo Jaco Pastorius, um de seus ídolos… A capa do LP foi feita por Mello Menezes.

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Agora é só esperar para ver esse disco ser relançado, desta vez pra valer, numa homenagem não só ao Villa e ao Tom, mas também ao Arthur.

Ouçam aí a primeira faixa, Jobinianas N. 1.

 

 

Wilson das Neves, Mestre Marçal e o Comendador

Paulinho Albuquerque adorava citar as famosas frases usadas por Mestre Marçal. Eram coisas do tipo: “Eu sou espada!”, “Tô morando em cima do sapato”, “Se a onça morrer, o mato é nosso” ou, a minha preferida, “Quem procura o que não perdeu, quando encontra não reconhece”. E aí, em 1996, quando Wilson das Neves lançou o CD “O Som Sagrado de Wilson das Neves” , pra nós foi um grande momento, porque nesse disco tem uma faixa maravilhosa, com o título  “Mestre Marçal”. Nesse samba, Wilson e seus parceiros Paulo César Pinheiro e Zé Trambique conseguem citar um monte daquelas frases imortalizadas pelo grande Marçal. E agora é uma boa hora pra ouvir mais uma vez esse samba, em homenagem a esses três caras que não estão mais aqui para dizer : “Eu nasci sem saber nada e vou morrer sem aprender tudo, e se a morte é um descanso, eu prefiro viver cansado.”… Olha o samba aí:

Trio Calafrio na área…com parceiro japonês!

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Estamos comemorando os 100 anos do samba e também estamos em temporada pré-carnavalesca e, pra completar, estamos também em plena temporada de maracutaias e esculhambação geral…Por falar nisso tudo, o Trio Calafrio tem um samba que o Paulinho Albuquerque ia adorar. É aquele do Parceiro Japonês. A pérola está num CD de Marquinhos Diniz (Meu Samba). E tem a participação dos outros dois parceiros e integrantes do trio (Barbeirino do Jacarezinho e Luiz Grande). Eles têm a maior bronca desses “compositores” que entram com uma grana pra comprar uma vaga de parceiro num samba-enredo e ficar posando de bamba … Tem samba-enredo que tem uns 20 parceiros e, às vezes, o cara que realmente fez o samba nem aparece na lista! É mole?…Com vocês, o Parceiro Japonês. E o time que está nessa faixa é o seguinte: Claudio Jorge/violão e arranjo, Mauro Diniz/cavaco, Carlinhos 7 Cordas, Rogério Fernandes/baixo, Edgar Araújo/bateria, Daniel Karin e Jorge André/percussão, Dudu Oliveira/flauta, Whatson Cardozo/clarinete. Som na caixa…

…E vejam outras memórias do Trio Calafrio, que teve o Comendador Albuquerque como produtor. É só clicar em “Trio Calafrio” naquela lista de palavrinhas vermelhas na abertura do blog.

trio calafrio CD

Todos gostam de Toots, inclusive o Comendador.

Toots_ brasil project 51+Gx-LuBrLToots Thielemans, que morreu em 22 de agosto, era um dos músicos favoritos do Paulinho Albuquerque e os dois se encontraram várias vezes, desde 1985 , quando o mestre da hamônica, da guitarra e do assobio veio se apresentar na primeira edição do Free Jazz Festival, onde o Comendador era um dos produtores e diretores…E aparentemente Toots também gostava muito do Paulinho, tanto que o nome dele aparece numa pequena lista de agradecimentos no encarte do CD The Brasil Project, lançado em 1992.

encarte do TootsVamos ouvir agora a última faixa desse CD,  a composição mais famosa do Toots : Bluesette, numa gravação especialíssima, onde aparecem , por ordem de entrada em cena , “apenas” os seguintes nomes: Ivan Lins, Djavan, Milton Nascimento e Dori Caymmi, Oscar Castro-Neves, Mark Isham, Gilberto Gil e Edu Lobo, Gilson Peranzzetta, João Bosco, Ricardo Silveira, Caetano Veloso, Brian Bromberg, Chico Buarque, Lee Ritenour, Dave Grusin e o mestre de cerimônias, Toots Thielemans, na guitarra e no assobio. A base é feita por Oscar Castro-Neves no violão, Brian Bromberg no contrabaixo e Paulinho da Costa na percussão. A letra em inglês é de Norman Gimbel (cantada por Chico Buarque)  e a versão em português é de Ivan Lins.

 

10 anos sem o Comendador

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O tempo passa…Nem parece que foi há 10 anos. Em 26 de junho de 2006, nove dias depois do Bussunda, Paulinho Albuquerque também deixou este planeta…E o grupo Casseta & Planeta, naqueles dias, foi vítima de uma catástrofe de proporções tsunâmicas. Mas ficaram as boas lembranças e, para ajudar a lembrar, temos este blog do Comendador, onde os amigos vão deixando suas palavras, imagens e sons…(É só ir clicando nas palavras-chave, aquelas palavrinhas vermelhas aí na coluna ao lado, e começar o passeio) . A trilha sonora deste post vai ser um samba de Cláudio Jorge e Wilson das Neves, faixa do  CD  Amigo de Fé, que Cláudio Jorge dedicou ao Comendador. Esse disco foi um dos últimos trabalhos do produtor Paulinho Albuquerque e o samba  Músico Profissional  é uma homenagem aos caras que adoravam conviver com o Paulinho nos shows, nas gravações e nas viagens pelo Brasil e pelo mundo…

Os músicos profissionais que participaram desta gravação são: Bororó / baixo acústico, Camilo Mariano / bateria, Ovídio Brito e Marcelinho Moreira / percussão, Altair Martins / flugelhorn, Ricardo Pontes / sax alto e flautas, José Carlos Bigorna / sax tenor, Johnson Barbosa / trombone, Cláudio Jorge / arranjo de base, voz e violões, Gilson Peranzzetta / arranjo de metais.

Com vocês, Fátima Guedes, Guinga e Aldir Blanc…

Aqui fala o DJ Reinaldo e vamos ouvir agora mais uma faixa de um disco produzido pelo Paulinho Albuquerque. No caso, é uma faixa do CD  Grande Tempo, da Fátima Guedes, gravado em 1995. A música é O Côco do Côco, uma parceria de Guinga e Aldir Blanc. É uma espécie de música de utilidade pública, na área da consultoria sexual popular…A turma que acompanha a Fátima, como sempre acontecia nos discos feitos pelo Comendador, é do primeiro time: Guinga no violão, Lula Galvão no violão e cavaquinho, Carlos Malta no piccolo e Marcos Suzano na percussão. Som na caixa…

Com vocês, Bagulhobom…

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Meus amigos, vocês vão ver e ouvir agora uma produção que o Paulinho Albuquerque não fez mas adoraria ter feito: uma faixa do Bagulhobom, um novo quarteto que está aí na área. O papo é sério e o bagulho é ótimo. É música instrumental brasileira da boa… Cláudio Jorge, Ivan Machado, Leonardo Amuedo e Marcelinho Moreira trabalharam com Paulinho Albuquerque e conheceram bem a figura. Olha aí o que eles têm a dizer:

O Bagulhobom é filho do Paulinho e da Vivi. Nasceu algum tempo depois que ele foi embora mas nós sabemos que ele tá nessa também. A Vivi criou e agitou toda a parada. Ela conhece bem agora os caminhos a seguir. Paulinho trabalhava sempre com muita paixão, seriedade, alegria e respeito pela música e pelos músicos. A Vivi tá seguindo com a mesma levada e ainda com um toque feminino que o Paulinho, claro, não tinha, rsrs… Viva o Paulinho e salve a Vivi.  (Ivan Machado)

Acho que o Paulinho ia falar pra mim assim:  “Você aprendeu a tocar samba assim no Uruguai? …Essa merda (o Uruguai, é claro) está pendurada no Brasil e nāo cai, porra!” Hahahahah…Isso para mim vindo dele era um elogio, é claro… (Leonardo Amuedo)

O Comendador Albuquerque já deve estar produzindo nosso primeiro disco lá de cima e desenhando a luz do show também. Acho que tudo que a gente for fazer vai ter uma forte inspiração nele. Agora, se ele estivesse por aqui iria estar pegando no pé de todo mundo, da Vivi aos técnicos de gravação. Uma coisa que ele provavelmente diria é que esse conjunto tem tudo pra nāo dar certo. Só tem botafoguense e um uruguaio representando o Loco Abreu. Bem do jeito que ele costumava sacanear o time do coração. (Cláudio Jorge)

É… Com certeza o Bagulho é coisa do Paulinho e se é dele, é bom!!! Paulinho sempre plantou coisa boa porque sempre prezou a música e o talento. O fato de sermos o “BAGULHOBOM” não quer necessariamente dizer que sejamos os mais musicais ou os mais talentosos mas certamente somos amigos colhidos dessa fértil plantação do Comendador e hoje estamos sendo regados por ele através da Vivi.

O Bagulho será distribuído para que seja experimentado por muitos pois o Paulinho não se limitava ao seu metro quadrado, ele sempre se expandia e se misturava pra mostrar que pra música não existem fronteiras.

Por outro lado, acho que seu alto grau de exigência, também o faria dizer que o nome até pode ser Bagulho mas que pra ser Bom teria que esperar um pouco…. Kkkkkkkkk. E esse tipo de coisa era ótima, pois mexia com nossos brios e funcionava como a “cenourinha” que nos fazia correr mais e mais em direção ao melhor.

Hoje estamos aqui, o Bagulho é nosso mas é pelo Paulinho. Afinal, é um lance de amizade, musicalidade e verdade. Cada um com a sua mas que no final se torna uma coisa só. Foi isso que vivemos em vida com o Paulinho Albuquerque e agora não pode ser diferente. (Marcelinho Moreira)

Um som bom pra começar o ano novo…

 

MUChebabi994644_nMu Chebabi é um cara que trabalhou muito ao lado de Paulinho Albuquerque. E o Mu acabou de gravar mais um disco, com novas composições e vários parceiros. A música que dá nome ao álbum, Flor da Baía da Guanabara, tem tudo a ver com o ano novo, foi feita pensando no momento da virada do ano…É uma parceria com Humberto Araújo, que também fez o arranjo para a sua Orquestra Criôla e faz o solo de sax barítono…O Comendador Albuquerque ia gostar muito de ouvir isso…

Fala aí, Mu…

“O Paulinho foi diretor de alguns shows que eu fiz. No Jazzmania, no Ballroom, entre outros. Esse shows foram para o lançamento do CD “Mu Chebabi”, meu primeiro, que ele produziu junto comigo. Ele foi o cara que me aproximou de vários amigos do mundo do samba. Conseguiu incríveis participações para o meu CD. Mas o que o Paulinho me ensinou, e que eu levo comigo, é como fazer a ordem do show. No meu caso, que tenho músicas de humor, outras bem humoradas, outras de amor e tudo mais, a ideia é : se você começar com o humor, fica difícil depois colocar as músicas mais sérias ou de amor. Essa fórmula eu uso até hoje. Tento até fazer diferente, mas nada é tão eficiente quanto isso”.

Ricardo Silveira encontra Wes Montgomery, o Dedão de Ouro

RS e Wes -1Em 2002 Paulinho Albuquerque marcou um encontro de Ricardo Silveira com  Wes Montgomery, “The Golden Thumb”, aquele genial guitarrista que jogou a palheta fora e só tocava com o dedão, reinventando o som da guitarra no jazz… Foi num projeto chamado 4 x JAZZ, que aconteceu no Centro Cultural Banco do Brasil. Um projeto bolado, roteirizado e dirigido pelo Paulinho. Os quatro shows eram: Mauricio Einhorn toca Toots Thielemans, Cristóvão Bastos toca Dave Brubeck , Leila Pinheiro canta Billie Holiday e Ricardo Silveira toca Wes Montgomery. Recentemente, Ricardo Silveira estava mexendo no seu baú de sons e encontrou algumas gravações desse show. Um quarteto – formado por Ricardo na guitarra, Marcos Nimrichter no piano, Jorge Helder no contrabaixo e Carlos Bala na bateria – recriou vários temas do Wes Montgomery ou músicas que ele tornou famosas…Vamos ouvir aqui o Ricardo mandando a sua interpretação de duas composições do Wes: Full House e Sundown…Clica aí e som na caixa.

 

 

 

 

Nei Lopes e o Dia do Amigo

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Neste 20 de julho, Dia do Amigo, Nei Lopes botou lá no seu sítio, ou lote, como ele chama ( Meu Lote – http://www.neilopes.com.br ) , a letra de um novo partido-alto, chamado “Redes Sociais”. E aí ele não perdeu a oportunidade de lembrar do Comendador…Olha a letra do samba aí:

Redes Sociais      (partido-alto)

Você me botou a perigo

Incurso no artigo

De uma lei penal.

Agora quer ser meu amigo

Numa rede social. (REFRÃO – BIS).

 

Amigo é aquele parceiro

Que chega primeiro

Pro samba inteirar.

Amigo é o santo de frente

Que defende a gente

Do mal que pintar.

Amigo é aquele socorro

Que chega no morro

Antes do doutor.

Inverso do amigo da onça,

É o que assume a responsa

De ser fiador.

(REFRÃO)

Amigo é palavra sagrada

Não é presepada

Nem vacilação.

Amigo é aquele baluarte

Que parte e reparte

Um pedaço de pão.

Amigo foi Pedro Batista

Que virou punguista

Pra me auxiliar.

E Dona Maria Pinheiro

Que lavou dinheiro

Pra me higienizar.

(REFRÃO)

Amigo foi Paulo Albuquerque

Maior que qualquer

Que me ajude outra vez.

Calçava sapato de cromo

E tinha por mordomo

Um barão português.

Amigo foi Juca Prefeito

Sujeito direito

De Vila Isabel.

Que hoje reparte a amizade

Com mais de metade

Dos anjos do Céu.