Um show para o Comendador

Reinaldo

mu_acústico etc_web_cartazQuem acompanha este blog já sabe que Paulinho Albuquerque foi o responsável pelo aparecimento da banda Casseta & Planeta, que estreou em 1988, no Jazzmania, em Ipanema (onde hoje é o Studio RJ). E foi nesse show que eu toquei pela primeira vez com Mu Chebabi, que era nosso parceiro em todas as músicas do repertório. Numa comparação absurda, nós éramos o Aldir Blanc e ele era o João Bosco…E agora, tanto tempo depois, estou de novo num palco com o Mu, desta vez no show dele, “Uma Coisa é Uma Coisa, Outra coisa é Outra Coisa”, que está acontecento no Vizta, no Leblon. A diferença é que esse show é bem minimalista. É acústico, “unplugged e percussionless” : o Mu no violão e na voz, eu no contrabaixo e, no outro violão, o  guitarrista e produtor musical Fernando Clark. Essa sonoridade lembra um pouco aquelas formações de jazz cigano tipo Django Reinhardt. Só que a gente toca o repertório do Mu, que tem samba, funk, baião, reggae e outras bossas…Mas o que eu queria dizer é que estamos dedicando este show ao Comendador Albuquerque. Acho que ele ia gostar muito de ver isso…

Ritmo Baiano

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Quando dirigia os shows do Casseta & Planeta, Paulinho Albuquerque era muito exigente em quesitos como som e luz. Mas os figurinos às vezes podiam ser minimalistas…

Veja o que pode acontecer se você é o diretor de um show do Casseta & Planeta em turnê pelo Brasil…Paulinho Albuquerque passou por muitos perrengues durante essas viagens e um caso que ele gostava muito de lembrar aconteceu em Salvador. O show era no Teatro Castro Alves. De tarde, já estava todo mundo lá no palco para a passagem de som e luz. Só que um dos técnicos fundamentais para o trabalho, o técnico de luz ou som (não dá pra lembrar depois de tanto tempo) não aparecia. As horas estavam passando, passando e a passagem de som e luz não estava rolando, o que deixava nosso diretor bastante estressado…Depois de muito investigar, Paulinho acabou obtendo um número de telefone para tentar localizar o cara. Finalmente o sujeito atendeu o chamado e disse que não tinha chegado ainda porque… “estava almoçando na casa de mãínha...”. Depois de ouvir essa resposta o Comendador foi rodar a baiana no escritório da administração do teatro. A baiana encarregada ouviu os protestos do Paulinho, totalmente indignado com o atraso absurdo: “Como é que pode??? Ele disse que não chegou até agora porque foi almoçar na casa de mãínha!!!” E a baiana, não entendendo o motivo daquela indignação toda,  calmamente manda essa: ” E tu vai querer que ele trabalhe com fome?”.

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Na trilha sonora deste post vamos ouvir Fala, Bahia! , mais um sucesso da banda Casseta & Planeta…É uma composição de Mu Chebabi, Beto Silva, Bussunda, Claudio Manoel e Helio de La Peña. E o time que garante o ritmo baiano é o seguinte: Teclados / Itamar Assiére e Jorjão Barreto. Baixo / Sizão Machado. Guitarra / Cláudio Jorge. Bateria / Teo Lima. Percussão / Pirulito e Ovídio Brito. As vozes são de Claudio Manoel e Helio de La Peña. Clica aí, meu rei…

A primeira faixa do primeiro disco

Reinaldo

Um dia Paulinho Albuquerque teve a idéia de juntar a Casseta Popular e o Planeta Diário num show de humor ao vivo, no palco do Jazzmania. Na época, ele era responsável pela programação da – hoje extinta – casa de shows em Ipanema. E nós, do Planeta e da Casseta, só fazíamos o jornal, a revista e éramos roteiristas do TV Pirata. A idéia do show, a princípio, pareceu meio absurda e sem sentido, já que todo mundo no grupo era redator e não ator… Mas o Paulinho tinha faro, intuição e era um cara muito ligado em humor (ele tinha uma coleção enorme de videos,em VHS, do Monty Python e outros craques do humor internacional).

Naquele tempo ele não conhecia nenhum de nós pessoalmente, mas conhecia o irmão do Marcelo Madureira, o Manfredo, que trabalhava também com produção musical. O Paulinho pediu pro Manfredo marcar uma reunião com todo mundo e aí pintou a idéia do show de humor musical. O Claudio Manoel convocou Mu Chebabi para botar música nas letras, o Bussunda achou que seria uma boa imitar o Tim Maia, o Hubert inventou o Paulo Francis cantando Garota de Ipanema e a coisa foi começando a tomar forma.

Resumindo a história: o show, chamado “Eu Vou Tirar Você Deste Lugar” ficou em cartaz no Jazzmania, às segundas-feiras, de abril a junho de 1988. Todo mundo foi lá, tout Riô , como diriam os franceses. Até o Boni foi e, depois de ver o show, achou que os caras da Casseta e do Planeta podiam aparecer na frente das câmeras. Depois disso, vieram outros shows e três discos (um LP e dois CDs), tudo com a direção do Paulinho. Mas o que eu queria mostrar aqui é a primeira faixa do primeiro disco, o LP “Preto com um Buraco no Meio”. No início da faixa, ouçam o diálogo entre Paulinho Albuquerque e Bussunda.

A música é “Mãe é Mãe”, de Bussunda e Mu Chebabi. A bela canção, um funk no estilo Tim Maia, é o desabafo desesperado de um namorado infeliz, ferido no seu orgulho de macho, depois de levar um pé na bunda.

E olha só o time que o Paulinho convocou para esta faixa:  Leo Gandelman (sax barítono e arranjo), Bidinho (trompete), Zé Carlos Bigorna (sax alto), Serginho Trombone, William Magalhães (teclados), Torcuato Mariano (guitarra), Fernando Souza (baixo) , Claudio Infante (bateria) e Armando Marçal (percussão). No vocal, Claudio Manoel e Bussunda. Clica aí…