O Comendador numa imagem do MIS

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Foi o Hugo Sukman que deu o toque…Lá no acervo do MIS, Museu da Imagem e do Som, tem essa imagem do Paulinho Albuquerque com Djavan, Filó Machado e Fátima Guedes. A foto apareceu num post sobre o Projeto Pixinguinha de 1981, quando o Comendador produziu os shows dessa turma. Naquele tempo não tinha celular, selfie, essas coisas. Por isso são raras as imagens onde aparecem as estrelas do espetáculo junto com o cara que estava nos bastidores, produzindo a coisa…Agora só falta saber quem fez o clique. Infelizmente não ficou registrado o nome do fotógrafo. Alguém aí sabe? Cartas para a redação, quer dizer, e-mails para o blog…

O link do post tá aqui:

Amizade transparente

Vídeo

Sempre é bom ficar perambulando pelos posts deste blog do Comendador para lembrar a figuraça que foi Paulinho Albuquerque. Todos os dias Paulinho é lembrado por algum dos muitos artistas que trabalharam com ele. E agora é a vez de Fátima Guedes, que está lançando Transparente, um disco todo em homenagem ao cara…Vejam este pequeno documentário e confiram. É uma homenagem de responsa. Olha aí o time que a Fátima conseguiu reunir. Só tem craque e, entre os craques, um monte de amigos do Comendador…

 

Pacto sinistro

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Paulinho Albuquerque produziu vários discos e dirigiu vários shows da Fátima Guedes e, durante esse tempo todo, eles mantinham um pacto sinistro: cada vez que um fosse fazer uma viagem tinha que trazer um presente pro outro. Mas não podia ser qualquer presente. Tinha que ser uma coisa estranha, insólita, bizarra…escova sereia 2015-09-02 23.14.30

Muitos desses presentes se perderam na noite dos tempos mas a nossa reportagem conseguiu localizar algumas dessas peças. Estão aqui, por exemplo, alguns presentes que Paulinho ofereceu para Fátima: uma escultura de tartaruga com conchas do mar da Flórida, uma escova de cabelos em forma de sereia, uns brincos em forma de caralhinhos fluorescentes, que brilhavam no escuro, comprados numa sex-shop em Nova de paulinho para fátima_oOrleans…

E a Fátima ofertou para o Comendador, entre outras coisas esquisitas, uma estátua de sereia que é uma maravilha…Esse, aliás, foi o último presente da lista. Com essa sereia, Fátima Guedes venceu a disputa. Paulinho disse que depois dessa ele não conseguiria revidar à altura e pediu arrego.

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Com vocês, Fátima Guedes, Guinga e Aldir Blanc…

Aqui fala o DJ Reinaldo e vamos ouvir agora mais uma faixa de um disco produzido pelo Paulinho Albuquerque. No caso, é uma faixa do CD  Grande Tempo, da Fátima Guedes, gravado em 1995. A música é O Côco do Côco, uma parceria de Guinga e Aldir Blanc. É uma espécie de música de utilidade pública, na área da consultoria sexual popular…A turma que acompanha a Fátima, como sempre acontecia nos discos feitos pelo Comendador, é do primeiro time: Guinga no violão, Lula Galvão no violão e cavaquinho, Carlos Malta no piccolo e Marcos Suzano na percussão. Som na caixa…

Sonhando com o Comendador

Paulo Malaguti Pauleira

Eu queria escrever algum lance sobre o saudoso Paulinho Albuquerque e realmente tenho muitas coisas a lembrar dessa grande figura carioca. Mas fui dar uma olhada no blog e quase todo mundo tinha um causo hilário do Paulinho, que de fato era espirituoso e muito esperto, com um humor grosso e fino ao mesmo tempo, na medida e na hora certa. Fiquei assim sem graça de só falar as coisas importantes em que ele me incluiu muito generosamente e ficar num tom cerimonioso que não interessa a ninguém. Pois bem: não é que agora, viajando a Portugal passeando com minha mulher, sonhei com o Comendador?

Era uma situação de sonho mesmo, em que havia vários músicos, me lembro do Zé Nogueira e do Rodrigo Campello e havia uma sensação boa de reconhecimento simpático a mim.  E aí de repente aparece o Paulinho, de bigodinho, bermuda, tênis e meia, super bicha afetada. E eu perguntei:

– Mas é o Paulinho?  Pensando: Ué, ele não morreu?

E alguém explicou que aquele era o irmão gêmeo gay do Paulinho Albuquerque (!) …

Essa aparição em sonho é o máximo de hilário que consigo contar sobre o Paulinho Albuquerque. Na vida real ele foi o responsável por alguns lances importantíssimos na minha carreira de músico. Minha participação no “Simples e Absurdo”, primeiro disco do Guinga, cantando, tocando e arranjando “Sete estrelas”. A primeira incursão de estúdio do Arranco de Varsóvia num CD lindaço da Fátima Guedes chamado “Grande Tempo”. Gravamos um samba do Lenine e Bráulio Tavares, “O dia em que faremos contato”. E no CD de 50 anos do Aldir Blanc cantamos “Vim sambar” parceria com J. Bosco, com a base poderosa do Peranzzetta, e eu tive a honra de escrever o arranjo vocal (ficou bem bacana).

Olhaí Reinaldo, arrumei uma passagem hilária espiritual-freudiana pra homenagear o grande Paulinho Albuquerque…

Com vocês, Fatima Guedes…

Aqui quem fala é o DJ Reinaldo e você vai ouvir agora mais uma música de um disco produzido pelo Paulinho Albuquerque. Essa é do CD Grande Tempo, da Fatima Guedes, que o Paulo Pauleira lembrou lá no post dele…O disco é de 1995 e a faixa é O Dia em Que Faremos Contato, um fantástico samba de ficção científica, de Lenine e Bráulio Tavares. No violão e arranjo de base está o Lenine, no outro violão, João Lyra e, no baixo elétrico, Bororó. O coro é o Arranco de Varsóvia (que na época era: Paulo Malaguti Pauleira, Rita Peixoto, Mury Costa, Soraya Ravenle, Evelyne Hecker). O arranjo vocal é do Pauleira e na percussão temos um timaço : Armando Marçal, Trambique, Jaguara e Ovídio Brito. Som na caixa…

O ronco e um diálogo albuquerqueano

Itamar Assiere

Itamar Assiere, pianista, arranjador e ouvinte privilegiado do ronco do Comendador.

As minhas histórias do Paulinho podem começar pelo ronco dele, que foi o mais alto que já ouvi na vida! Difícil achar outro igual!

Quando toquei no show do Casseta & Planeta  em Vitória, a produção me botou pra dividir o quarto com ele. Eu não me lembro de ter conseguido dormir. Mas lembro bem da minha tentativa desesperada de dormir: pra tentar competir com o ronco, eu liguei a televisão fora do ar no último volume, pra ver se o barulho dela se misturava com o ronco e aí eu abstraía. Claro que não deu certo… Isso se chama desespero!

Devo muito ao Paulinho, que foi de uma generosidade descomunal comigo. Eu conheci ele num show do Cláudio Nucci,  no Rio Jazz Club. Ele foi lá pra falar comigo sobre o grupo Batacotô. O Sizão Machado tinha acabado de me chamar e ele foi lá me ver tocar e marcar uma reunião pra conversar sobre a banda.

Em 93, ele me perguntou se eu fazia arranjo. Eu disse que sim, e ele me deu dois arranjos para a Fátima Guedes. Ele nem quis conferir se eu fazia arranjo direito, só acreditou na minha palavra e na sua intuição. E depois ainda me chamou pra gravar o CD da Rosa Passos!

Uma vez eu estava em Goiânia, com a Bibi Ferreira. Lembrei que  Bororó, o baixista, tinha se mudado pra lá, e liguei pro Paulinho pra pedir o telefone dele. E o papo foi assim:

– Oi, Paulinho, aqui é o Itamar.

– Fala! E aí?

– Seguinte: tô aqui em Goiânia e preciso…

– Ué! Foda-se!… “Ah… tô aqui em Goiânia”… Foda-se!

– Tá, tá legal, você tem razão… eu só queria o telefone do Bororó…

Mais tarde ele me ligou passando o telefone do Bororó, e ainda detonou o colega, que tinha deixado furo num show do Cláudio Jorge que ele estava dirigindo… Puro humor albuquerqueano!

“Música é a melhor coisa…”

Denilson Campos

Umas que o Paulinho me contou:

Teo Lima, baterista e vítima do Comendador.

Apenas para situar: o baterista Teo Lima era jurado do desfile das escolas de samba na Sapucaí. Um dos jurados tinha dado uma nota 8 para a bateria da Mangueira. A Mangueira perde o título.

Paulinho liga para a casa do Teo Lima (na época tocando com Djavan). Teo atende e Paulinho começa a falar com voz de malandro. Se identifica como “Tuco da Mangueira” e cobra do Teo uma explicação pela nota 8. Teo diz que não foi ele, foi outro jurado e para limpar a barra, convida o “Tuco” para passar no estúdio da Odeon, onde ele estava gravando o novo disco do Djavan.

No dia seguinte Paulinho chega ao estúdio e combina com o segurança para ligar para o estúdio mais tarde e dizer que tem um tal de Tuco na portaria querendo falar com o Teo. O segurança faz isso e o Teo fica apavorado. Algum tempo depois Teo vai até a portaria e pergunta para o segurança pelo Tuco. O segurança diz “Pô, o cara ficou irritado porque você demorou e foi embora xingando”. Teo ficou bastante preocupado.
Só muito tempo depois o Paulinho contou ao Teo que a história toda tinha sido uma brincadeira inventada por ele.

Na verdade, o jurado que deu a nota 8 foi o Russo do Pandeiro (aquele que tocou com a Carmen Miranda e morava nos Estados Unidos) . O Teo esperou o Russo embarcar em segurança de volta para casa e só aí revelou ao “Tuco” o nome do jurado que tinha dado a maldita nota 8.

Novamente com Teo:

Djavan foi fazer shows nos EUA e o Paulinho mandou imprimir a capa do NY Times com uma foto do Teo com a seguinte manchete: “Baterista gay do Djavan preso em NY.” Paulinho pegou o jornal e deixou com a mulher do Djavan. Combinaram que ela ia abrir o jornal no vôo de volta. Quando isso aconteceu alguém da banda disse para o Teo que ele estava na 1ª página do jornal. Como ele não sabia ler inglês muito bem pediu logo para quem traduzir? Paulinho, é claro. Bom, resumo da história: o Teo ficou tão irritado com a manchete que queria fazer o avião voltar a NY para comprar todos os jornais em circulação porque, afinal de contas, aquele notícia não podia chegar no Brasil…

Essa eu presenciei:

Estávamos gravando o 1º CD do Guinga. A idéia era o Guinga ao violão e diversos cantores convidados para cantar as faixas. Estávamos terminando a mixagem da música cantada pelo Claudio Nucci, quando o Paulinho se vira pra mim e pergunta:

– Dá pra gravar o som do talkback na fita?
– Claro que dá! Só que som é bem ruim. Parece megafone.
– Ótimo. Bota um canal pra gravar aí que eu vou falar umas coisas durante a intro.

Feito isso, ele começa a falar coisas parecidas com:

– “Ooolha o incenso aííí…, bata indiana…, vai sair o último ônibus
pra Mauá…”

E foi assim até terminar a intro. Copiamos a mix com essas falas para uma fita K7 e o Paulinho levou para o Claudio escutar. Segundo o Paulinho, ele acreditou que essa seria a versão definitiva da música e ficou muito puto. Depois tudo se esclareceu…

Outra que eu também presenciei:

Djavan, Paulinho e Fátima Guedes

Novamente estávamos mixando um disco. Desta vez da Fátima Guedes. Tem uma música neste disco que se chama “Santa Bárbara”. E tradicionalmente Santa Bárbara é considerada a santa das chuvas. Era início do ano e tinha aquelas chuvas torrenciais de verão. Coincidência ou não, praticamente todas as sextas-feiras chovia muito. A intro era só de percussão (tocada pelo Marçalzinho). Paulinho pediu para colocarmos alguns sons de trovoadas e chuva, foi para o estúdio e gravou alguma coisa como:

– (som de trovão) Ih, caralho. Vai chover de novo.
– (som de vento e tempestade) Ah!! Não vou sair não. Meu carro é baixo. A
rua vai alagar e vai entrar água no meu carro.
– Fátima, tem um guarda chuva aí?
– (mais sons pontuando) Ô Fátima. Tu fica cantando pra Santa Bárbara!! Agora lá vem chuva. Puta que pariu!
– (já no final da intro, antes da Fátima começar a cantar) Porra,
Fátima, agora não precisa mais, pega esse guarda chuva e enfia no cu…

Quando a Fátima chegou ao estúdio para ouvir a mix nós colocamos essa
versão. E ela quase não se aguenta em pé de tanto rir.

Tem uma frase do Paulinho que eu nunca esqueço: “Música é a melhor coisa. Só não pode virar trabalho.”

João e Paulo.

A última que eu ouvi dele foi quando nos encontramos na Lagoa, numa manhã de domingo. Ele com o filhinho dele num carrinho e eu com o meu. Ele apontou para o menino todo orgulhoso e me disse: “Olha aí, é a rapa do tacho”.

(Denilson Campos é engenheiro de som e trabalhou em muitas produções ao lado de Paulinho Albuquerque)