O encontro de John Lennon com Djavan

djavan e john lennon

Neste momento em que são lembrados os 80 anos de nascimento de John Lennon, publicamos aqui este raríssimo registro de um encontro do ex-beatle com o cantor e compositor Djavan. A foto pertence ao acervo do blog do Comendador Albuquerque. Só não conseguimos o nome do fotógrafo que clicou o lance. Se alguém tiver essa informação, é só mandar pra cá. E viva John Lennon!

Na cozinha com o Comendador

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E pra vocês que gostam de dicas de culinária, aí vai uma receita de sanduíche de Djavan…Pega-se uma fatia de Paulinho Albuquerque e uma fatia de Aldir Blanc. No meio, coloca-se um Djavan inteiro. E está pronto!… Para acompanhar o sanduíche de Djavan, o ideal é um suco de açaí, guardiã, zum de besouro. (a dica do suco é do jornalista musical e gourmet Márcio Pinheiro).

O Comendador numa imagem do MIS

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Foi o Hugo Sukman que deu o toque…Lá no acervo do MIS, Museu da Imagem e do Som, tem essa imagem do Paulinho Albuquerque com Djavan, Filó Machado e Fátima Guedes. A foto apareceu num post sobre o Projeto Pixinguinha de 1981, quando o Comendador produziu os shows dessa turma. Naquele tempo não tinha celular, selfie, essas coisas. Por isso são raras as imagens onde aparecem as estrelas do espetáculo junto com o cara que estava nos bastidores, produzindo a coisa…Agora só falta saber quem fez o clique. Infelizmente não ficou registrado o nome do fotógrafo. Alguém aí sabe? Cartas para a redação, quer dizer, e-mails para o blog…

O link do post tá aqui:

Com vocês, Carmen McRae…

Essa foto diz tudo. Paulinho Albuquerque adorava Carmen McRae. Era uma das suas cantoras de jazz favoritas. Ele se encontrou com a Carmen pela primeira vez numa das visitas a Los Angeles, ciceronado pela Regina Werneck. Corta para 1980, no Rio de Janeiro. Paulinho estava dirigindo um show do Djavan e os ensaios eram no estúdio do Chico Batera, onde Djavan preparava o repertório, muito bem acompanhado pela banda Sururu de Capote (Luiz Avellar, Sizão Machado, Teo Lima, Zé Nogueira, Café, Marquinhos e Moisés). Um dia, Paulinho chegou no ensaio levando a Carmen McRae, que estava de passagem pelo Rio. A diva do jazz ficou encantada com o ensaio e com o repertório djavânico…Tempos depois ela gravou Flor de Lis, que ganhou uma letra em inglês da Regina Werneck e virou Upside Down.

Vocês vão ouvir agora essa gravação sensacional, de 1982, que está no disco Heat Wave, da Carmen com o vibrafonista Cal Tjader. Além deles, o elenco é: Marshall Otwell (piano), Rob Fisher (contrabaixo),Vince Lateano (bateria), Poncho Sanchez e Ramon Banda (percussão).

O primeiro encontro com Moacir Santos

Nesta foto, da coleção de Monique Gardenberg, Moacir Santos está cercado por um bando de admiradores: Keith Seppanen (engenheiro de som), Ronnie Foster (produtor), Moisés (trombone de pisto), Paulinho Albuquerque (coordenação de produção), Luiz Avellar (piano), Djavan, Marquinhos (sax tenor e flauta), Zé Nogueira (sax soprano), Frank Zotolly e Steve Kujala (flauta).

Zé Nogueira lembra que ” …a foto aconteceu logo após a gravação do belíssimo arranjo de sopros do Moacir para a música Capim. Esse arranjo é uma música dentro da música…Era um momento muito especial, foi quando conhecemos pessoalmente o Moacir ! Isso foi em 1982, durante a gravação do disco Luz, do Djavan…”

E agora ouçam com atenção o arranjo do maestro…Com exceção do pianista Frank Zotolly, todos na foto participaram da gravação. E mais: Sizão Machado (baixo), Teo Lima (bateria), Café (percussão) e Raul de Souza (trombone).O solo de Mini-Moog é do Ronnie Foster.

http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/djavan/capim/4902187

Com vocês, Casseta & Planeta e Djavan…

Aqui quem fala é o DJ Reinaldo e vocês vão ouvir agora mais uma faixa de um CD produzido pelo Paulinho Albuquerque… No caso, a música é Tributo a Bob Marley, do LP Preto Com um Buraco no Meio. Como a letra falava de um cara que foi ” para Paris, Londres, Amsterdam, ganhar alguma grana imitando Djavan…”, o Paulinho chamou o próprio para fazer uma participação especial, imitando ele mesmo…A composição é de Bussunda, Beto Silva, Claudio Manoel, Hubert, Mané Jacó e Mu Chebabi.

E para tocar esse reggae  foram convocados os seguintes craques: Celso Fonseca / guitarra, Jamil Joanes / baixo, Teo Lima / bateria, Carlinhos Brown / percussão. Arranjo do coro: Paulinho Soledade. No vocal, Hélio, Hubert e Djavan. A capa do LP é de Luiz Stein e Gringo Cardia.

Paulinho

Djavan

A primeira fase da minha  carreira foi marcada pela presença do Paulinho. Dirigiu os meus três primeiros shows, intermediou encontros inesquecíveis: Aldir Blanc, Cacaso, Paulo Emílio (quando compusemos várias canções), Quincy Jones, Gilson Peranzzetta, Ivan Lins, Nei Lopes…

Humor, honestidade, justiça e generosidade formaram a base da sua personalidade. Tudo isso ele  distribuiu aos amigos por toda a vida.

Paulinho me ensinou muito sobre tudo. Aprendi com ele, entre outras coisas, a lidar com minha própria música, num tempo em que  a ansiedade e a insegurança me atormentavam. Era ele que com suas palavras, suas observações maduras, me animava, me botava em pé.

Paulinho brincava o tempo todo. Era feliz. Embora dissesse vez por outra, não sei se ainda brincando, que não era feliz no amor. Mesmo convivendo todos os dias, nunca brigamos. Se  a gente se aborrecia por alguma coisa, bastava eu me distrair que logo ele vinha :  me dava uma “gravata”, beijava a minha cabeça e, fingindo apertar o meu pescoço, dizia: olha aqui o que  eu faço com você… A gente ria e tudo voltava ao normal. Paulinho foi um amigo querido, quase um tutor, vislumbrou em mim logo cedo a pessoa e o músico que  me tornei. Não tocava nenhum instrumento, mas sabia de música como poucos. Nunca quis pertencer a nenhuma gravadora, usou o seu talento ajudando pessoas de que gostava pelo simples prazer de vê-las crescer na vida.

Foi assim comigo, e eu o agradeço eternamente por isso.

Dois lances do Paulinho

O Paulinho parece que está pensando: “O Aldir é grande pra caramba! Se tiver que sair na porrada a gente se garante…”


Aldir Blanc

1. Fomos a um jogo Vasco X Flu. Paulinho, botafoguense, preocupava-se comigo, que estava bem de porre, com um retrato do lateral Orlando Lelé grudado no peito. Fomos de cadeira cativa. Uns tricolores logo atrás começaram a xingar o Vasco com palavrões cabeludíssimos. Reagi com meu estoque Estácio de ofensas raras. No intervalo, houve um começo de confronto e notamos, chocados, que éramos dois, e os caras, sem sacanagem, uns doze. Paulinho me disse: “Calma. Fui da Miguel Lemos e aprendi judô. O segredo é usar o próprio impulso  dos caras contra eles…”. Fizemos isso e apanhamos pra cacete. Paulinho, é claro, não perdeu a pose e deu várias explicações “técnicas” para a nossa acachapante derrota.

2. Paulinho ia nas gravações dos primeiros Lps do João Bosco, numa galeria em frente à Praça Arco Verde. Gostávamos do local porque havia ao lado uma espécie de centro cultural de inglês, no qual Paulinho apanhava tesouros como W.H. Auden dizendo os próprios poemas, etc. Também havia, na tal galeria, a maior concentração de manicures gostosas do planeta. Algumas até foram convidadas  para “fotos artísticas” no ateliê do Mello Menezes… Um dia, estamos lá na galeria tomando cerveja (durante a gravação de “Galos de Briga”) e um bicão invade a nossa conversa sobre Haroldo Barbosa, que adorávamos. Em tabelinha intuitiva, inventamos que Haroldo havia feito “Luminosa Manhã” apaixonadíssimo, no fim da vida, para uma certa jovem, um amor impossível… Um ano antes de Paulinho morrer – ou seja, uns 30 ANOS DEPOIS – fomos à inauguração de uma casa noturna. O Mello, de porre, estava encerrando a noitada com sua soberba interpretação de “Luminosa Manhã”, quando um cara encosta e detona: “Essa música tem uma história linda. O Haroldo Barbosa estava apaixonado por uma jovem, um amor impossível e…” Paulinho e eu rimos de chorar.

Paulinho e Aldir no momento em que inventaram o Sanduíche de Djavan.

Inventando o Free Jazz

Monique, Zé Nogueira, Federica Lanz Boccardo, Paulinho e a também inesquecível Sylvia Gardenberg.

Reinaldo

Esta foto, escaneada de um exemplar do JB de 28 de julho de 1985, marca o lançamento do Free Jazz Festival. Tudo começou uns dois anos antes, quando Paulinho Albuquerque, Zé Nogueira e Monique Gardenberg voltavam de uma turnê do Djavan nos Estados Unidos (os três estavam trabalhando com Djavan na época). No último dia da viagem eles foram a um festival no Lincoln Center, em Nova York, com shows de Stan Getz, David Sanborn e outras feras. E, já durante o vôo de volta para o Rio, começaram a fazer planos para um grande festival de jazz e música instrumental brasileira.  O resto vocês sabem…As irmãs Gardenberg fizeram a coisa  acontecer e o Free Jazz  Festival se transformou num maiores eventos musicais do Brasil.

Na foto está faltando Zuza Homem de Mello, que foi convocado para completar o time de craques. Segundo a Federica, na foto poderiam estar também Abel Gomes da P&G , que cuidou da cenografia, Ivone Kassu, que fez a assessoria de imprensa  e  Zé Luiz Joels, da Oficina de Luz, na iluminação. A Federica  ficou, como ela mesmo diz, “ naquele  negócio de venda de ingressos, distribuição de convites, etc., um  cargo que mais tarde ganhou o pomposo nome de controller ”.

Para mim foi um prazer poder assistir a vários shows do festival ao lado do Paulinho, ouvindo seus comentários de expert  esperto. Não me esqueço do dia em que estávamos num show da Shirley Horn… (na verdade esse foi em 2003 e aí o festival já tinha até mudado de nome e patrocinador, agora  era o Tim Festival). Enfim, a Shirley Horn  estava tocando piano e cantando uma balada super suave, naquele seu estilo pianíssimo e de repente a tenda foi invadida pelo som de uma música tipo bate-estaca (infelizmente, naquele ano houve um problema de localização de palcos e um show  interferiu no outro). A veterana cantora, já com uns 70 anos, levou um susto com o som invasor e, é claro, a platéia ficou injuriada com a coisa. Aí o Paulinho mandou essa: “ Se a velha morrer, pelo menos a gente vai poder parar tudo e pedir um minuto de silêncio”.  Esse era o Paulinho Albuquerque.