O Jogo

Com Paulinho, comemorando o Campeonato Brasileiro de 95.

Zé Renato

Falar sobre o Paulinho ainda é uma grande dificuldade, a ficha até hoje não caiu. Por exemplo, toda vez que tenho alguma idéia de novo trabalho a primeira coisa que me vem à cabeça é querer ligar pra ele, às vezes até torcendo pro mordomo atender e dar umas risadas. Fico sempre imaginando o que ele acharia a respeito, críticas, elogios, sacanagens, tudo vindo dele era pra se levar em consideração. Era um amigo daqueles que a gente sente falta todo dia em qualquer circunstância.

Além do gosto musical compartilhávamos também das alegrias e tristezas de ser botafoguense. Uma vez, no tempo que o time ainda penava na segundona, combinamos de ir ao Caio Martins para ver o clássico Botafogo x Marília que seria no meio da semana, com Claudio Jorge e Pedro. No dia do jogo, chovendo canivete, cheguei no final da tarde para buscá-los no apartamento do Jardim Botânico. Depois de algumas buzinadas todos desceram  e foram se acomodando, já semi ensopados apenas do curto trajeto entre a portaria e o carro (imaginem vocês o toró) e partimos em direção ao Rebouças. Na Lagoa, como era de se esperar, demos de cara com um engarrafamento colossal, o que arrefeceu consideravelmente nossa disposição. Após alguns minutos parados no trânsito, todos se entreolharam e chegamos à conclusão de que o melhor mesmo era abortar a missão Caio Martins e partir para algum botequim que estivesse transmitindo o jogo pela televisão. Bom, resumindo a história, pouco depois de estarmos sentados confortavelmente, cercados de algumas louras geladas, o telefone do Paulinho tocou. Era Vivi avisando que estava indo pra maternidade, onde poucas horas depois João daria o ar da sua graça.