Botafogo em primeiro lugar

Vivi Fernandes de Lima

Retrato do botafoguense quando jovem

Ele era botafoguense e eu, flamenguista. Por isso, ficava muito incomodado com a minha presença na sala quando tinha jogo do Botafogo. Um dia, durante uma partida que estava zero a zero, fui ao banheiro no meio do segundo tempo. E enquanto eu estava lá, pra minha desgraça, o Botafogo fez um gol. Paulo comemorou aos berros, como de costume, mas acrescentou uma frase que me deixou um pouco – digamos assim – envergonhada no edifício:

– Vivi, caga mais! Caga mais!

A obsessão pelo time nasceu ainda quando ele era bem pequeno. A primeira vez que Paulo foi ao Maracanã assistir a um jogo do Botafogo estava acompanhado do pai e do então presidente do clube, Carlito Rocha. Ele devia ter uns sete anos. Era um dia frio e por isso estava vestido com um suéter. Paulo entrou no campo com o time e deu sorte: o Botafogo venceu a partida. Ficou combinado então que o trio assistiria ao próximo jogo juntos, obedecendo a tradição supersticiosa do presidente dos botafoguenses.

No fim de semana seguinte, num sol de rachar, Carlito foi buscar Paulo e o pai, como combinado. Quando viu o menino, gritou:

– Cadê o suéter?

O pai respondeu que  estava calor, mas foi rapidamente convencido a vestir o agasalho no filho, que assistiu aos dois tempos do jogo suando sob a roupa de lã. O Botafogo venceu de novo e por algum tempo Paulo continuou entrando em campo com os jogadores com suéter. Ele contava isso, claro, com o maior orgulho.