Sem perder a piada

Vivi Fernandes de Lima

Bom contador de histórias, Paulo também era especialista em tiradas, na maioria das vezes improvisadas. Pra não perder a piada, ele não aliviava nem a própria mãe, Sara. Quando ela reclamava que ele estava sumido, ele respondia:

– Sabe o que é Sara? Mãe é bom, mas dura muito…

E a conversa dos dois acabava às gargalhadas.

A morte, aliás, volta e meia era tema de suas piadas. Assim ele mostrava preocupação com a idade avançada da mãe:

– Sara, por favor, vê se não morre em dia de jogo do Botafogo.

Quando a cantora Shirley Horn faleceu, em 2005, a triste notícia acabou inspirando outra piada. Enquanto caminhávamos para um dos palcos do Tim Festival, o amigo Zé Nogueira lembrou que nenhum artista havia homenageado a cantora, que havia morrido naquele ano. Paulo, que adorava a artista jazzista, não se apertou para dar rapidamente uma solução e ainda atingir a música eletrônica, que ele odiava:

– Ainda está em tempo. Podíamos pedir duas horas de silêncio no palco de música eletrônica…

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