Lembranças de um brother (1)

Dr. Paulo Roberto Medeiros e Albuquerque, advogado.

Paulo Renato

Sou o irmão mais novo do Paulinho e, por excesso de imaginação da família, também sou Paulo, como meu pai e meu avô. Sou 9 anos mais novo que ele, temos uma irmã (Sandra) oito anos mais velha que eu. Entre eles e eu tinha uma  outra irmã (Claudia) que está lá em cima com Paulo. Pela diferença de idade, pela cabeça dos dois mais velhos, foram a minha referência.

Acompanhei na encolha as peripécias e experiências dos dois. E de Paulo foram várias. Depois, de longe, pois sai do Rio aos 27 anos, acompanhei sua audácia em largar seu escritório de advocacia dos mais respeitados em Marcas e Patentes,  jogar o terno no sofá e partir para as produções musicais, paixão sua e da família, que aprendemos com nosso pai. Vou contar aqui algumas passagens que me lembro no momento, e algumas delas eu presenciei.

Ele tinha um dom especial de contar histórias que acredito tenha aprendido com papai. O velho enriquecia o conteúdo (até demais), era escritor, estudioso e  sobretudo um cara que nos ensinou a curtir a vida. E isso Paulo aprendeu bem…

1. Paulo sempre foi dos primeiros alunos da turma. Não era de estudar horas e horas, mas o suficiente para ser dos primeiros. Na defesa de sua prova final oral para encerrar o curso de Direito da UERJ, no Catete, o professor, daqueles antigões, já meio ressabiado com Paulo que era muito brincalhão, saiu-se, depois de várias respostas positivas, com a última, tirada da cartola :

– Qual era o hobby do Barão do Rio Branco? – perguntou o mestre.

Paulo titubeou, pensou e depois de alguns minutos respondeu na lata:

– Ele era um colecionador, colecionava tampinha de Coca-Cola e revistinha de sacanagem.

Não sei como foi aprovado.

2. Paulinho Albuquerque, o Paulo Roberto na família, colecionou alguns apelidos, entre eles Paulo Vedete (imaginem por que) e Limonada (depois de um porre com batida de limão).

3. No ginásio, no Colégio Mallet Soares, em Copacabana, era um dos xodós da diretora Estephânia, famosa pelo rigor, pela disciplina, mas apreciadora da inteligência de Paulo. Ela chegava a ponto de ir aos cinemas nas proximidades do colégio, como o Roxy, para pegar gazeteiros nas tardes de cinema. Ia com uma sineta. Era uma fera, temida por todos.

Pois o Paulo e alguns amigos saíram da sala de aula na surdina e foram fumar no banheiro. Na época era cigarro mesmo a curtição.Estavam os três no banheiro escondidos dentro de um dos boxes.O banheiro dos alunos tinha sua parede fazendo fundos com o banheiro da secretaria. No silêncio, pois as aulas estavam em curso, ouviram do outro lado da parede uma senhora falando alto e entrando no banheiro da secretaria. Era Dona Estephânia. Que fechou a porta e ao sentar no vaso fez aquele barulho.

Paulo, de bate-pronto, do seu canto no banheiro vizinho gritou:

– Aí, Estephânia, dando sua cagadinha!

Enquanto ela gritava “Quem é? Quem é?”, os três subiram para sua sala de aula no terceiro piso em poucos minutos.

Foi uma glória.

(continua)

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