“Música é a melhor coisa…”

Denilson Campos

Umas que o Paulinho me contou:

Teo Lima, baterista e vítima do Comendador.

Apenas para situar: o baterista Teo Lima era jurado do desfile das escolas de samba na Sapucaí. Um dos jurados tinha dado uma nota 8 para a bateria da Mangueira. A Mangueira perde o título.

Paulinho liga para a casa do Teo Lima (na época tocando com Djavan). Teo atende e Paulinho começa a falar com voz de malandro. Se identifica como “Tuco da Mangueira” e cobra do Teo uma explicação pela nota 8. Teo diz que não foi ele, foi outro jurado e para limpar a barra, convida o “Tuco” para passar no estúdio da Odeon, onde ele estava gravando o novo disco do Djavan.

No dia seguinte Paulinho chega ao estúdio e combina com o segurança para ligar para o estúdio mais tarde e dizer que tem um tal de Tuco na portaria querendo falar com o Teo. O segurança faz isso e o Teo fica apavorado. Algum tempo depois Teo vai até a portaria e pergunta para o segurança pelo Tuco. O segurança diz “Pô, o cara ficou irritado porque você demorou e foi embora xingando”. Teo ficou bastante preocupado.
Só muito tempo depois o Paulinho contou ao Teo que a história toda tinha sido uma brincadeira inventada por ele.

Na verdade, o jurado que deu a nota 8 foi o Russo do Pandeiro (aquele que tocou com a Carmen Miranda e morava nos Estados Unidos) . O Teo esperou o Russo embarcar em segurança de volta para casa e só aí revelou ao “Tuco” o nome do jurado que tinha dado a maldita nota 8.

Novamente com Teo:

Djavan foi fazer shows nos EUA e o Paulinho mandou imprimir a capa do NY Times com uma foto do Teo com a seguinte manchete: “Baterista gay do Djavan preso em NY.” Paulinho pegou o jornal e deixou com a mulher do Djavan. Combinaram que ela ia abrir o jornal no vôo de volta. Quando isso aconteceu alguém da banda disse para o Teo que ele estava na 1ª página do jornal. Como ele não sabia ler inglês muito bem pediu logo para quem traduzir? Paulinho, é claro. Bom, resumo da história: o Teo ficou tão irritado com a manchete que queria fazer o avião voltar a NY para comprar todos os jornais em circulação porque, afinal de contas, aquele notícia não podia chegar no Brasil…

Essa eu presenciei:

Estávamos gravando o 1º CD do Guinga. A idéia era o Guinga ao violão e diversos cantores convidados para cantar as faixas. Estávamos terminando a mixagem da música cantada pelo Claudio Nucci, quando o Paulinho se vira pra mim e pergunta:

– Dá pra gravar o som do talkback na fita?
– Claro que dá! Só que som é bem ruim. Parece megafone.
– Ótimo. Bota um canal pra gravar aí que eu vou falar umas coisas durante a intro.

Feito isso, ele começa a falar coisas parecidas com:

– “Ooolha o incenso aííí…, bata indiana…, vai sair o último ônibus
pra Mauá…”

E foi assim até terminar a intro. Copiamos a mix com essas falas para uma fita K7 e o Paulinho levou para o Claudio escutar. Segundo o Paulinho, ele acreditou que essa seria a versão definitiva da música e ficou muito puto. Depois tudo se esclareceu…

Outra que eu também presenciei:

Djavan, Paulinho e Fátima Guedes

Novamente estávamos mixando um disco. Desta vez da Fátima Guedes. Tem uma música neste disco que se chama “Santa Bárbara”. E tradicionalmente Santa Bárbara é considerada a santa das chuvas. Era início do ano e tinha aquelas chuvas torrenciais de verão. Coincidência ou não, praticamente todas as sextas-feiras chovia muito. A intro era só de percussão (tocada pelo Marçalzinho). Paulinho pediu para colocarmos alguns sons de trovoadas e chuva, foi para o estúdio e gravou alguma coisa como:

– (som de trovão) Ih, caralho. Vai chover de novo.
– (som de vento e tempestade) Ah!! Não vou sair não. Meu carro é baixo. A
rua vai alagar e vai entrar água no meu carro.
– Fátima, tem um guarda chuva aí?
– (mais sons pontuando) Ô Fátima. Tu fica cantando pra Santa Bárbara!! Agora lá vem chuva. Puta que pariu!
– (já no final da intro, antes da Fátima começar a cantar) Porra,
Fátima, agora não precisa mais, pega esse guarda chuva e enfia no cu…

Quando a Fátima chegou ao estúdio para ouvir a mix nós colocamos essa
versão. E ela quase não se aguenta em pé de tanto rir.

Tem uma frase do Paulinho que eu nunca esqueço: “Música é a melhor coisa. Só não pode virar trabalho.”

João e Paulo.

A última que eu ouvi dele foi quando nos encontramos na Lagoa, numa manhã de domingo. Ele com o filhinho dele num carrinho e eu com o meu. Ele apontou para o menino todo orgulhoso e me disse: “Olha aí, é a rapa do tacho”.

(Denilson Campos é engenheiro de som e trabalhou em muitas produções ao lado de Paulinho Albuquerque)

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