Explicações necessárias

Destacado

Palbuca era um endereço de e-mail que virou apelido. Comendador Albuquerque era o seu alter-ego na secretária eletrônica (ouçam a mensagem do mordomo Antunes) e Paulinho Albuquerque era o produtor, diretor, iluminador, agitador, enfim, um cara que esteve por trás de muita coisa boa na música brasileira : shows e discos com Djavan, Ivan Lins, João Bosco, Aldir Blanc, Guinga, Nei Lopes, Leny Andrade, Leila Pinheiro, Rosa Passos, Hamilton de Holanda, o Free Jazz Festival e até o Casseta & Planeta… (é muita gente, vejam a lista completa no menu, em “shows” e “discos”). Paulinho Albuquerque morreu em 26 de junho de 2006, nove dias depois do Bussunda.

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Dia Internacional do Jazz

IntJazzDay20131Paulinho Albuquerque, um dos criadores do Free Jazz Festival e curador desse e de outros festivais, trabalhou e conviveu com muitos dos melhores músicos de jazz do mundo. E hoje, 30 de abril, Dia Internacional do Jazz, o blog dá um toque sobre essa ligação do Comendador com o mundo do jazz…Para ilustrar isso, vamos ver um trecho do show Tributo a Jobim, que aconteceu no Free Jazz de 1993. Paulinho participou da bolação dessa homenagem, junto com Monique Gardenberg, Zé Nogueira e Zuza Homem de Mello. E depois, ele foi o diretor geral da coisa toda. Herbie Hancock era o diretor musical. A filmagem foi dirigida por Walter Salles Jr.  Participaram desse show, além do Herbie Hancock, o saxofonista Joe Henderson, o pianista Gonzalo Rubalcaba, a cantora Shirley Horn, o cantor Jon Hendricks, o contrabaixista Ron Carter, o baterista Harvey Mason e o percussionista Alex Acuña. O time brasileiro vinha com Oscar Castro Neves, Paulo Jobim, Gal Costa e o próprio Tom Jobim, homenageado de corpo presente…

tributo a jobim Nesta parte do show acontece um dos momentos mais jazzísticos da noite, com solos maravilhosos de Joe Henderson e Gonzalo Rubalcaba em O Grande Amor, de Tom e Vinícius. E reparem na alegria e nos sorrisos dos dois violonistas, Oscar Castro Neves  e Paulo Jobim. Os caras estavam no céu, ali no meio daquelas feras fazendo aquele som todo…A alguns metros dali, na beira do palco, apesar da tensão e da responsabilidade de ser o diretor-geral-da-porra-toda, o Comendador Albuquerque também estava com um sorriso desse tipo nos lábios.

20 anos do Olho de Peixe

olho de peixe_capa_webLenine está comemorando 30 anos de carreira e 20 anos do lançamento do CD Olho de Peixe, em parceria com o percussionista Marcos Suzano…Mas por que esse maravilhoso disco também está sendo festejado aqui no blog do Comendador Albuquerque?…Pra saber o motivo é só reler este trecho de um post do Lenine que está aí no blog…

Paulinho é maravilhosamente culpado de vários momentos importantes na minha vida…E desde sempre! Lembro do entusiasmo dele, ao interceder por nós junto à gravadora Velas…Eu e Marcos Suzano havíamos acabado de fazer “Olho de Peixe”, e a gravadora Velas eles tinham criado (ele, Ivan Lins e Victor Martins) pra lançar os discos de Guinga, que não tinha registro até então…

E para começar as comemorações, vamos ouvir agora a primeira faixa do CD, uma composição de Lenine e Braulio Tavares: Acredite ou Não. Com Lenine (violão e voz) e Marcos Suzano (pandeiro, tan-tan, surdo, ganzá, caixa de guerra, cowbell e tubo sonoro). São só dois caras mas é muito som…

Emílio Santiago (1)

Cláudio Jorge
emilio santiago
Eu tive a oportunidade de presenciar dois encontros marcantes de Paulinho Albuquerque com Emílio Santiago, uma das maiores vozes da música brasileira.
Uma foi o convite que ele fez ao Emílio para participar do disco “De Letra & Música” do nosso amigo e parceiro Nei Lopes. É uma belíssima gravaçāo de ” Gotas de Veneno”, um dos sucessos da dupla Wilson Moreira e Nei Lopes. Nei deve ter coisas pra contar sobre este encontro.
Paulinho e Guilherme Reis, meus  sócios  na Carioca Discos, trabalhavam muito e, na mesma intensidade, faziam altas molecagens que divertiam todo mundo. Uma delas era quando o Paulinho imitava a voz do cantor e gravava a música com outra letra. Ele fez uma versāo para esta gravaçāo do Emílio com o Nei Lopes. Impublicável.
Outro encontro  foi o convite feito pelo Paulinho ao Emílio para interpretar uma das faixas do CD “Um Natal de Samba”, segundo volume, produzido pelo Paulinho Albuquerque para a gravadora Velas. Vários compositores fizeram canções com referência ao Natal especialmente para este disco. Uma delas é a minha música “Sapato na Janela”.
Me lembro que no dia em que o Emílio foi gravar a voz, num determinado momento chamei a atençāo dele  para um trecho da letra que nāo estava sendo cantado corretamente. O Emiílio rapidamente mandou essa: “Paulinho, esse negócio de trazer o autor da música na hora que o cantor está colocando voz nāo dá certo nāo, heim?”. Até o fim da gravaçāo o Emílio ficou me sacaneando com esse negócio e depois o Paulinho, também continuou me sacaneando, mas sempre imitando a voz do Emílio.
É… Sāo muitas as saudades do Paulinho, do Guilherme, do Ovídio e agora do Emílio Santiago.
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Ouçam agora: Gotas de Veneno…
Com Emílo Santiago, Nei Lopes e  Leandro Braga (piano e arranjo), Cláudio Jorge (violāo), Ivan Machado (baixo), Carlinhos 7 cordas, Jorge Gomes (bateria), Gordinho (surdo), Armando Marçal (caixa e tamborim), Marcelinho Moreira (tamborim e tantan), Ovídio Brito (pandeiro, tamborim e cuíca), Nelson Oliveira (trompete), David Ganc (sax tenor), Carlos Malta (sax soprano, sax alto), Roberto Marques (trombone).
…e Sapato na Janela.
Com Emílio Santiago e Cláudio Jorge (arranjo e violāo), Itamar Assierre (piano e teclados), Ivan Machado (baixo), Jorge Gomes (bateria), Marcelinho Moreira (tamborim), Ovídio Brito (cuíca).

Emílio Santiago (2)

Nei Lopes
A capa do CD do Nei é de Mello Menezes.

A capa do CD do Nei é de Mello Menezes.

Impressionante o que ocorreu no dia da gravação da voz do Emílio junto com a minha (tadinha dela!) no CD “De Letra & Música”.

Nosso grande artista  ”mandou o Lima” várias vezes; e, no finzinho, só faltava a participação dele, afinal agendada para o último dia do prazo. Esperamos, esperamos, esperamos, já estávamos quase desistindo, quando ele chegou, com pressa e mal humorado. Foi lá, ouviu e…pimba! De primeiríssima, deu o maior recado.

E já ia sair batido, quando o Paulinho disse: “Espera aí, cara! Ouve aqui uma coisa”. E botou a faixa da Alcione, cantando “Senhora da Canção”, meu e do Cláudio Jorge. Dom Santiago começou a  escutar, depois a ouvir. Ai, sentou-se pra ouvir melhor…E perdeu a pressa. Quando acabou, disse: “É… Eu posso fazer melhor!”. E regravou a faixa dele toda, de novo, com mais categoria ainda!

Sem dúvida, foi o maior cantor brasileiro de seu tempo; e vai ser difícil vir outro melhor.

Meu Tio

André Barcinski

andré_barcinski 12013806Paulinho é meu tio e foi uma das pessoas mais importantes da minha vida.Desde criança, eu era fascinado pelas histórias que ele contava sobre músicos e artistas que conhecia. Essas histórias me inspiraram a começar a escrever sobre música.

Sentia um orgulho danado em dizer que meu tio era um dos programadores do Free Jazz Festival, e vi muitos shows inesquecíveis lá: Nina Simone, Gil Evans, Ray Charles, John Lee Hooker e tantos outros. Lembro Paulinho contando casos sobre Quincy Jones, Stevie Wonder, Miles Davis… Era sensacional. Qualquer um que tenha passado cinco minutos com o Paulinho sabe o dom que ele tinha pra contar histórias.

Além de me mostrar muita coisa boa na música, Paulo tinha um bom gosto danado para cinema. Foi ele que me falou pela primeira vez sobre o Monty Python, por exemplo. Ele gostava muito de comédias italianas também. Lembro de irmos a uma sessão de “Os Eternos Desconhecidos”, do Mario Monicelli, no Cine Paissandu, quando o cinema reabriu e estava fazendo umas sessões de filmes antigos. Paulo conhecia muito sobre cinema italiano.

Uma das poucas coisas em que não concordávamos era sobre futebol. Eu sou Fluminense, e passei a vida toda sacaneando o Paulinho por causa do Botafogo. Mas fui com ele a vários jogos do Botafogo, e estava no Maracanã – sem o Paulinho – quando o Fogão ganhou do Urubu em 1989 e quebrou o jejum de 21 anos sem ganhar um título carioca. Foi lindo.

Sinto muita falta do Paulinho. Sinto que não aproveitei a companhia dele como poderia. Mudei do Rio em 1990, e ficamos meio distantes. Sempre que nos encontrávamos, era uma alegria, mas a distância não permitia tantos encontros assim.

Mas tenho matado as saudades dele com esse blog, que leio religiosamente. E com várias fotos que decoram minha casa. Uma de minhas fotos prediletas é essa. Eu devo ter um ano de idade e estou entre o Paulinho e a Sônia, sua mulher na época.Paulinho e André Barcinski_74

O sobrinho do Comendador

barcinski e jôAndré Barcisnki, o sobrinho do Comendador, lançou um livro recentemente (Guia da Culinária Ogra) e deu uma entrevista no Programa do Jô. Todo mundo que conheceu  Paulinho Albuquerque acha que o André está muito parecido com o tio. Vejam aí neste link…

http://tvg.globo.com/programas/programa-do-jo/programa/platb/?s=andr%C3%A9+barcinski

Ritmo Baiano

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Quando dirigia os shows do Casseta & Planeta, Paulinho Albuquerque era muito exigente em quesitos como som e luz. Mas os figurinos às vezes podiam ser minimalistas…

Veja o que pode acontecer se você é o diretor de um show do Casseta & Planeta em turnê pelo Brasil…Paulinho Albuquerque passou por muitos perrengues durante essas viagens e um caso que ele gostava muito de lembrar aconteceu em Salvador. O show era no Teatro Castro Alves. De tarde, já estava todo mundo lá no palco para a passagem de som e luz. Só que um dos técnicos fundamentais para o trabalho, o técnico de luz ou som (não dá pra lembrar depois de tanto tempo) não aparecia. As horas estavam passando, passando e a passagem de som e luz não estava rolando, o que deixava nosso diretor bastante estressado…Depois de muito investigar, Paulinho acabou obtendo um número de telefone para tentar localizar o cara. Finalmente o sujeito atendeu o chamado e disse que não tinha chegado ainda porque… “estava almoçando na casa de mãínha...”. Depois de ouvir essa resposta o Comendador foi rodar a baiana no escritório da administração do teatro. A baiana encarregada ouviu os protestos do Paulinho, totalmente indignado com o atraso absurdo: “Como é que pode??? Ele disse que não chegou até agora porque foi almoçar na casa de mãínha!!!” E a baiana, não entendendo o motivo daquela indignação toda,  calmamente manda essa: ” E tu vai querer que ele trabalhe com fome?”.

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Na trilha sonora deste post vamos ouvir Fala, Bahia! , mais um sucesso da banda Casseta & Planeta…É uma composição de Mu Chebabi, Beto Silva, Bussunda, Claudio Manoel e Helio de La Peña. E o time que garante o ritmo baiano é o seguinte: Teclados / Itamar Assiére e Jorjão Barreto. Baixo / Sizão Machado. Guitarra / Cláudio Jorge. Bateria / Teo Lima. Percussão / Pirulito e Ovídio Brito. As vozes são de Claudio Manoel e Helio de La Peña. Clica aí, meu rei…